MULHERES PRETAS QUE MOVIMENTAM #13 - JENNIFER AYALLEM

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por Karina Vieira

Foto: acervo pessoal
      Por muito tempo as meninas negras não encontravam maquiagem adequada para o seu tom de pele e pra poder se maquiar, faziam "misturinhas" ficar o mais próximo possível do tom da pele negra. Jennifer Ayallem é dessas que há tempos vem subvertendo o que está imposto, ajudando a mulher negra a ficar cada dia mais bonita, além dela mesma ser maravilhosa, como podemos ver aí em cima, não é mesmo?! Conheçam mais dessa linda.

MBP - Quem é você?

Jennifer 
Ayallem - Sou Jennifer Ayallem, 20 anos. Moradora da zona oeste e maquiadora. Mulher, negra, gorda, observadora e determinada!
Foto: acervo pessoal
MBP - Como deu a descoberta da sua negritude?
JA - Descobri quando pequena, mas a autoaceitação de fato veio na adolescência, quando resolvi libertar meu crespo da Guanidina e usá-lo natural. Mas foi bem complicado. Era bem difícil encontrar representatividade. Que eu lembre, nunca tive uma boneca negra para olhar e dizer "nossa, ela parece comigo". 

MBP - O que te levou a escolher a sua profissão?
JA - Foi no colegial. Sempre fui bem moleca, gorda e as pessoas duvidavam da minha sexualidade. Comecei a me maquiar para provar o contrário para as pessoas. Também por não me sentir uma pessoa atrativa, fora do padrão e motivo de chacota. Com o passar do tempo vi que eu não precisava provar nada para as pessoas, mas já estava apaixonada pela maquiagem. Ao longo do tempo senti uma dificuldade enorme em encontrar o tom da minha pele, minhas bases sempre acinzentavam e coloquei na minha cabeça que trabalharia como maquiadora para ajudar pessoas como eu. Nada melhor que você se sentir maravilhosamente maravilhosa [risos].

MBP - Como foi o caminho da sua graduação?
JA - Eu ainda não fiz faculdade. Fiz cursos de maquiador no SENAC, FAETEC e Embelleze, mas aguardem a futura esteticista! 

MBP - Quem são as pretas e pretos que te inspiram? 
JA - Ellen Oléria, Stacey, meu amor vulgo Jalmyr Vieira  e minha mãe.

MBP - Quem é aquela mulher preta que você conhece e quer que o mundo conheça também?
JA - Roseneia Correia.

MBP -  Na sua trajetória profissional o quanto avançamos e o que ainda temos que avançar?
JA - Avançamos em criações e ocupando espaços, mas a caminhada é longa. Em relação à maquiagem, há bastante produtos com o custo alto, mas para trabalhar vale a pena o investimento. Temos um acesso melhor a produtos da nossa tonalidade, mas não é o suficiente, ainda há muita coisa para conquistar.

MBP - Como você lida com a sua estética negra?
JA - Eu costumo lavar e dar hidratações caseiras uma vez na semana, não é sempre que vivo maquiada, mas quase sempre estou mais maravilhosa que sou.

MBP - O que é representatividade pra você?
JA - Representatividade é poder me ver em outras pessoas, ir contra todo esse padrão estético racista e conquistar meu espaço, ser orgulho e motivo de incentivo para meus irmãos.


Conheçam o trampo da Jennifer aqui.

MULHERES PRETAS QUE MOVIMENTAM #12 - DJ TAMY

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por Karina Vieira

Foto: I Hate Flash
       Nas festas mais incríveis aqui do Rio, tem uma hora que não dá pra ficar parada, que todas as músicas babadeiras são tocadas, aquelas que parecem que saíram direto da nossa playlist pessoal. A responsável por isso responde pelo nome de DJ Tamy, a melhor dj do Rio de Janeiro.
        Tamyris - ou melhor, DJ Tamy - é encantadora e faz das festas um local onde ninguém consegue não dançar. Tocando desde Nina Simone até The Internet, a Tamy arrasa muito.


MBP - Quem é você?
DJ Tamy - Me chamo Tamyris , sou preta , Dj, estudante de jornalismo e da moda [risos]. Acho bem difícil eu mesma me definir, mas acredito que eu seja uma pessoa simples em processo de evolução.

MBP - Como se deu a descoberta da sua negritude?
DJ Tamy - Como grande parte das pretas que conheço, foi a transformação com o cabelo que me levou a me conhecer melhor. Quando pequena minha mãe sempre deixava meu cabelo black ou com tranças, porém por volta dos 7, 8 anos, pedi para minha mãe alisar meu cabelo por conta das retaliações que eu sofria na escola. Minha mãe a princípio não queria, porém eu insisti tanto que ela fez minha vontade. Por volta dos 16, 17 anos deixei o processo químico e voltei às minhas raízes de fato. 

MBP - O que te levou a escolher a sua profissão?
DJ Tamy - Basicamente gostar de música. Isso que me levou a escolher ser Dj. Acho que o fato de eu ter estudado música quando criança e me identificar com a cultura Hip Hop me levou a isso também. Fora a música, estou estudando jornalismo, acredito que no meu período de graduação já evolui bastante como pessoa, e quando me formar espero trabalhar pra fortalecer os meus .


Foto: acervo pessoal
MBP - Como foi o caminho da sua graduação?
DJ Tamy - Ainda estou construindo ele, e já está acabando. Minha decisão pelo jornalismo na verdade foi uma segunda opção, eu queria na real fazer faculdade de moda, só que pra gente que é preto surge vários questionamentos né, principalmente da família, será que vai dar certo? é uma boa eu estudar isso? Meu pai não ficou muito feliz com minha escolha por moda e insistiu que eu fizesse algo "mais sério” no ponto de vista dele, aí acabei ficando com minha segunda opção que era jornalismo, e eu até que estou gostando.

MBP - Quem são as pretas e pretos que te inspiram?
DJ Tamy - Creozete Oliveira (minha mãe), Martin Luther King (como ativista e cristão). Na música: Erykah Badu, Queen Latifah , DJ KB e Lauryn Hill .

MBP - Quem é aquela mulher preta que você conhece e quer que o mundo conheça também?
DJ Tamy - Camila Mamede. Ela é engenheira e uma amiga minha de longa data. Tem um pensamento muito sensato em relação a tudo, é inteligente demais. Acho que muita gente tem que conhece-la e se possível trocar uma ideia com ela.

MBP - Na sua trajetória profissional o quanto avançamos e o que ainda temos que avançar?
DJ Tamy - Tenho 9 anos de discotecagem e evoluí porque busquei conhecimento e luto mesmo pra ocupar meu espaço. Sabemos que aceitar uma DJ preta, gorda, que foge totalmente dos padrões que são estabelecidos, não é natural para todos os contratantes, mas graças a Deus tenho comigo só contratantes e marcas fortes e que sabem quem são, que nem eu. Dentro do mercado DJ, entre 100 profissionais, 10 são mulheres. Negras então... temos pouquíssimas ainda. Aqui no Rio, que eu saiba, de mulher preta em ação só tem eu e a Ana Paula Lisboa, que é muitas outras coisas também. A nível Brasil tem outras: a Tati laser, Nai Sena, Pathy de Jesus... Essas que eu conheço. Me impressiona ver dentro do Hip Hop poucas minas pretas discotecando. Por isso que eu boto maior pilha mesmo pras meninas pretas que quiserem entrar nesse mercado, irem com tudo.

MBP - Como você lida com a sua estética negra?
DJ Tamy - Dou preferência a usar produtos pro meu tipo de pele, apesar de não ser uma regra pra mim. No cabelo é muita coisa! Meu cabelo é crespo e eu aproveito a força que ele tem e faço várias mudanças. A cada mês estou com ele diferente. Às vezes deixo solto, outras coloco trança... No momento estou com trança nagô na raiz e cabelo azul preso a elas.
MBP - O que é representatividade pra você?
DJ Tamy - É ser você mesma e ser espelho para os que são iguais a você, mesmo os que estão em processo de autoconhecimento.

Conheça mais do trampo da Tamy aqui.

UM POMPOM PARA CHAMAR DE NOSSO

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por Tainá Almeida

      Este penteado está fazendo a cabeça crespa por esse mundão. Em uma rápida passada pelo YouTube, vemos que várias blogueiras estão fazendo o "penteado das gringas" ou o "Space Buns".
    Aqui na minha casa esse penteado já é um clássico que minha mãe fazia desde quando eu era pequena. Penteado super prático (eu acho) e que era chamado de "Maria Chiquinha". Eu sempre chamo de Pompom mesmo [risos].
       Não é que tem uma foto mais linda que outra? Hoje listamos aqui nosso top cinco de graciosas com pompom encontradas pela rede. Digam se não é para morrer de amores e sair tentando este penteado? 

5 - Ana Lídia 
Um dos pompons mais cheios que já vi!!!  Uma lindeza! 

@analidialopess
4 - Loana Novae
Sério, nunca consigo falar dela. Falta o adjetivo pra dizer que ela está linda. Cadê o dicionário?

@afrog4l

3 - Tássia Reis
Lindeusa com esses pomponzinhos que dão destaque a essas pontinhas descoloridas.

@tassiareis_

2 - Eva Lima 
Mais uma musa crespa com pontinhas descoloridas. E essa maravilha de pompom?

@byevalima

1 - Loo Nascimento 
Esse cabelo só tem pontos positivos e ela ainda descolore e raspa dos ladinhos. O insta dela é de babar!!!! E foi no snap dela que aprendi a dizer pompom.

@loo_ana

       Nós também já fizemos pompom (mas eu não achei justo colocar na lista rs)Olhem aqui, eu e Suzane testando esse pompom.

@tai.ina
@suzanesantos.s

MULHERES PRETAS QUE MOVIMENTAM #11 - KATIÚSCIA RIBEIRO

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por Karina Vieira
Foto: acervo pessoal
       Professora de Filosofia, poetisa, formadora, educadora. Katiúscia Ribeiro é mulher preta em essência. O sentido de comunidade que tento resgatar em vida foi ela que me ensinou. Essa foi uma das entrevistas mais aguardadas por mim e sabem a pergunta que estou fazendo sobre a mulher preta que todo mundo deveria conhecer? Ela é uma das minhas respostas. Não se sai de um a conversa/bate-papo/diálogo com a Katiúscia sem uma troca rica e engrandecedora. Poderia ficar rasgando muitos elogios para ela, mas paro por aqui pra vocês conhecerem melhor.

MBP - Quem é você? 
Katiúscia Ribeiro - Mulher preta de Asè , de luta preta em luta preta!

MBP - Como se deu a descoberta da sua negritude?
KR - Venho de uma família de militância preta. Meu avô era da Frente Negra Pelotense, me levava em reuniões desde de criança; minha mãe, ativista potente, deu conta de continuar essa luta. Aos 15 anos de fato soube o quanto era fundamental lutar para não esvair em dor racial. Meu primo/irmão aos 19 anos foi violentamente assassinado pela polícia, por ser - como em tantos outros casos - "confundido com um bandido". Ao ver seu corpo preto no necrotério e os fortes gritos de minha mãe, percebi que era necessário reagir para não morrer... A ele e por ele persisto. (Ainda dói...) A cada segundo respiro a força de nossos ancestrais para permanecer e prosseguir.

MBP - O que te levou a escolher a sua profissão?
KR - Minha profissão não foi escolhida por mim. Passei no vestibular em Economia, porém fiquei doente e perdi o prazo de inscrição. Tive que entrar nas vagas ociosas com a pretensão de trocar para a primeira opção depois de um período, no entanto cada tentativa de troca foi totalmente sem sucesso e nesse percurso o amor à Filosofia foi se consolidando. Fui vendo nessa uma arma potente na libertação preta. Hoje agradeço aos ancestrais por frustrar todas as tentativas de mudança de curso. Estou e sou realizada nessa escolha. Creio ela foi feita por eles.

Foto: acervo pessoal
MBP - Como foi o caminho da sua graduação?
KR - Difícil e pesado... Mas consegui concluir no tempo preciso.

MBP - Quem são as pretas e pretos que te inspiram?
KR - Qualquer preta e preto que sobrevive a essa masmorra mental de dominação a qual fomos submetidos me inspira... Todos os meios utilizados na busca de nossa emancipação servem como combustível motivacional. "Por todos os meios necessários", como disse Malcolm X.

MBP - Quem é aquela mulher preta que você conhece e quer que o mundo conheça também?
KR - A preta que respira o ventre africano.

MBP - Na sua trajetória profissional o quanto avançamos e o que ainda temos que avançar? 
KR - Cada tijolo colocado é fundamental e preciso. Muito temos que trabalhar e solidificar essa muralha. Me alegra saber que muitos sacos de cimentos já foram utilizados para construção desse muro de resistência, no entanto ainda não está na hora de pausar e respirar. Precisamos continuar a erguer essa muralha preta.

MBP - Como você lida com a sua estética negra?
KR - Tenho um cuidado diário comigo. Entendo que o fortalecimento da estética faz parte desse ato de amar-se a si que o racismo luta para neutralizar. O fortalecimento de nossa autoestima nos renova enquanto seres africanos.


MBP - O que é representatividade pra você?

KR - Só digo: "representatividade importa e muito". Ao olhar o outro, é minha imagem refletida , meu espelho preto.

MULHERES PRETAS QUE MOVIMENTAM #10 - SILVANA BAHIA

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por Karina Vieira

Foto: Andressa Lacerda
     Coordenadora de comunicação do Olabi, mestranda em Territorialidades na UFF, comunicadora do KBELA filme mais babadeiro de 2015 - e AFROFLIX, o canal de produção audiovisual feito por pretas e pretos. Sil Bahia é a cara da comunicação (eu enquanto comunicadora me espelho nela ). Com uma sagacidade incrível e discutindo espaço e disputa de narrativa, ela nos mostra que lugar de preta é onde ela quiser.


MBP - Quem é você? 
Sil Bahia - Eu sou a Silvana Helena Gomes Bahia, mulher, negra, sonhadora, filha da Edinair e do Léo, irmã do Leozinho. Comunicadora social, curiosa, trabalhadora e em constante transformAÇÃO. Apaixonada por histórias, narrativas e pelas pessoas que encontro no caminho. Leonina com ascendente em áries e lua em sagitário.


MBP - Como se deu a descoberta da sua negritude? 

SB - Acho que a descoberta da minha negritude se deu desde que nasci. A minha relação com ela é que foi se transformando com o passar do tempo. Quando criança, quando era chamada de "macaca" por coleguinhas, tinha um lado meu que tudo que queria era não ser negra. Claro que eu não entendia e mal sabia o que era racismo nessa época. Só sabia que tinha uma coisa em mim que me fazia sentir "menor". Por outro lado, na minha casa, meus pais sempre se preocuparam e cuidaram da minha autoestima. Mas era difícil. Na adolescência, quando entrava numa loja com minhas amigas brancas e elas eram atendidas e eu não, comecei a me ligar no por que isso acontecia. Sempre me relacionei bem com as pessoas e acreditava que todo mundo era "do bem" até que se provasse o contrário, mas o racismo e o machismo muitas vezes aparecem e são reproduzidos de formas sutis e não menos dolorosas, e às vezes por pessoas que gostamos, amamos. E é difícil se relacionar. A questão que percebo é que com maioria das pessoas negras, sobretudo mulheres negras, a gente demora um tempo para perceber essas "sutilezas". Porém, uma vez que você percebe, que você olha de verdade para isso, nunca mais deixa passar batido. Só comecei a me sentir plenamente bem relacionada com a minha negritude (na alegria e na dor) quando acessei e tive contato com outras referências, com outras mulheres negras. Durante a faculdade o encontro com Denise Lima e Ricardo Brasil foram centrais na minha construção e entendimento de mim mesma enquanto mulher e negra. Estudava numa universidade particular, branca, tijucana, com as primeiras turmas de PROUNI. Ali, pela primeira vez entendi o que era aquilo que eu achava que não sabia o nome mas sabia: racismo. Conhecer mulheres incríveis como Jenyffer Nascimento e Alessandra Tavares e poder dividir dúvidas, construir e compartilhar vivências e experiências foram determinantes. A Literatura Marginal e a cena periférica de SP no começo de 2010 foram fundamentais nessa construção. De lá para cá, foram muitos aprendizados e pessoas importantes que me acompanham nesse caminho. Raika Julie e Thiago Ansel, dois grandes amigos e parceiros que conheci quando cheguei à Maré para um estágio no Observatório de Favelas, também foram e são super importantes nesse fase, sobretudo nas escolhas no campo profissional. Poderia citar muitos, mas finalizando aqui, e deixando bem escuro que essa descoberta é infinita. Estou sempre me relacionando com ela. Quero citar alguns amigos que colaboram e somam muito nessa construção e desconstrução: Ney Wellington Bahia, Bruno F. Duarte, Karina Vieira, Yasmin Thayná, Rodrigo Reduzino, Erika Cândido, Monique Rocco.


Foto: Andressa Lacerda
MBP - O que te levou a escolher a sua profissão?

SB - Quando criança eu quis ser tanta coisa que quando tive a oportunidade de entrar na universidade foi difícil escolher [risos]. Quis ser dentista, musicista, médica, artista. Tive algumas profissões antes de entrar na faculdade. A primeira delas foi babá, depois trabalhei em petshop, fui manicure, e nos empregos mais formais, de carteira assinada, já trabalhei como assistente administrativo e digitadora. Quando trabalhava como digitadora numa empresa grande, comecei a sacar que se quisesse ganhar mais, realizar todas as viagens que sonhava (nessa época eu só queria ganhar dinheiro para viajar), e o mais importante, fazer algo que tivesse sentido para minha existência, precisa estudar. Ficava me perguntando se seria digitadora à vida toda, porque não tinha muito sentido pra mim e mais tarde entendi que trabalho não tem que ser só para ganhar dinheiro para pagar as contas. A empresa que trabalhava pagava 50% da universidade apenas em alguns cursos. Incentivada por meu tio Ney, fui cursar a comunicação social com ênfase em jornalismo. Nunca sonhei em ser uma repórter brilhante, mas o jornalismo me ensinou muitas coisas. Mais tarde vi que não preciso estar apenas numa "caixinha", que posso fazer muitas coisas dentro da comunicação e que esse é o campo que quero disputar. A comunicação tem muito a ver comigo e com as coisas que acredito. Primeiro porque meu trabalho me possibilita estar em contato com diversas pessoas, conhecendo e me relacionando; segundo por me dar a possibilidade de criar, construir e desconstruir novas (e velhas) narrativas sobre o mundo, sobre a mulher, sobre a negritude.


MBP - Como foi o caminho da sua graduação?

SB - Foi um desafio. Na metade do curso percebi que não tinha o perfil padrão do "jornalista" e que não era na maior empresa de comunicação do país o meu lugar. Foi frustrante demais, porque me sentia culpada por tanto investimento da mãe que sempre trabalhou muito para que a gente (meu irmão e eu) pudesse estudar – e a incerteza de conseguir um emprego, algo que me permitisse ser independente financeiramente, rondava meus pensamos durante os 4 anos que fiquei na universidade. Na época de procurar estágio fiz vários processos seletivos. Passava nas provas, mas sempre ficava nas entrevistas e não entendia como isso acontecia. Acho que estava procurando em lugares que não tinha a ver com o que eu queria mesmo, embora nem eu soubesse o que eu queria. Surgiu a oportunidade de trabalhar num projeto novo que estava começando, a Agência de Redes para a Juventude. Ali comecei a conhecer outras formas de trabalhar com comunicação e entendi que existia um campo enorme a ser explorado por mim no jornalismo social, ativista. No mesmo período passei para um estágio no Observatório de Favelas e nunca mais tive dúvidas sobre o que queria fazer da vida. A experiência na Maré durante quase 5 anos, as pessoas que conheci... Costumo dizer que a minha formação, formação profissional mesmo, aconteceu ali.


MBP - Quem são as pretas e pretos que te inspiram? 

SB - Ih são muitos! A primeira delas é minha mãe Edinair Gomes Leite, por toda a coragem, garra e capacidade de amar. É difícil listar todos os nomes, mas aqui vai: Sueli Carneiro, Conceição Evaristo, Karina Vieira, Raika Julie, Yasmin Thayná, Alessandra Tavares, Jenyffer Nascimento, Denise Lima, Elza Soares, Tássia Reis, Chimamanda, Jaciana Melquíades, todas as manas do Coletivo Meninas Black Power e as Mulheres de Pedra, Beyonce, Rihanna, Bell Hooks, Taisa Machado, Janaína Damaceno, Léo Bahia, Léo Bahia Filho, Ney Wellington Bahia, Bruno F. Duarte, Thiago Ansel, Rodrigo Reduzino, Paulo Rogério, com certeza estou esquecendo de muitas pessoas.


MBP - Quem é aquela mulher preta que você conhece e quer que o mundo conheça também?

SB - Todas essas que citei acima. [risos]


MBP - Na sua trajetória profissional o quanto avançamos e o que ainda temos que avançar? 

SB - De verdade eu não sei tangibilizar os avanços e medir o quanto ainda temos que avançar. O que eu vejo é que temos muita luta pela frente. Avançamos sim e é importante olhar para isso. De várias formas sinto que contrariei muito as estáticas quando me percebo no individual, mas sei que essas conquistas não são apenas minhas. Não ando só. Carrego um monte de gente comigo e acredito nessa coletividade que tem como base o amor. Mas a luta não tem hora para acabar, e o nosso povo está ai, morrendo. Como que a gente avança nisso? Acho que a gente tem que aprender a cuidar da gente e dos nossos. A dimensão do cuidado, do afeto, do amor, salva muito e sinto que a gente cuidou demais dos outros, dos filhos dos outros e desaprendemos a cuidar de nós. Experimentar e estudar também é importante. E não me refiro a academia, a universidade apenas, simplesmente porque esse é apenas um dos caminhos e a gente tem que estar em muitos caminhos, nos que a gente quiser estar. Me refiro a busca de conhecimento em todos os âmbitos: sobre nós mesmos, sobre as coisas que comemos e ingerimos, sobre a história do povo negro, do Brasil, da África, na política, na cultura e em outras mil áreas. Resistir inventando. E para reinventar, remixar, a gente tem que conhecer as coisas e para conhecer a gente tem que estar bem.


MBP - Como você lida com a sua estética negra?

SB - Lido bem. Gosto de cuidar do cabelo e da pele. Nos últimos tempos estou fazendo low poo e gostando. Basicamente lavo os cabelos e passo um creme para pentear. Às vezes rola uma hidratação, nutrição e afins. Tenho muito que aprender sobre cuidado com os cabelos. Uso produtos que me indicam, vou testando e se gosto acabo usando mais. Sou viciada em creme hidratante. Gosto de me vestir com roupas confortáveis, misturando looks urbanos com tecidos mais tradicionais. Ah, e gosto de cores, muitas cores.


MBP - O que é representatividade pra você?
SB - Representatividade para mim é disputar sentido, criar referência, narrativa. O mundo em que vivemos é muito plural e cada vez mais a gente vai ter que lidar (ainda bem) com essa questão. Não vai dar para impor padrões goela abaixo sem alarde, sem luta!


Conheça o trabalho da Silvana Bahia:

MULHERES PRETAS QUE MOVIMENTAM #9 - INAÊ MOREIRA

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por Karina Vieira

Foto: safira Moreira
      Inaê Moreira é o corpo negro. No espaço, no tempo, no mundo. Inaê dança, se movimenta e baila, por que esse corpo é festa, é ensejo, é vontade e é quereres. Querência de caminhos, curvas e formas de se posicionar aqui ou lá na frente. Corpo negro esse que joga por terra barreiras que antes o prendiam, que amplia horizontes na busca da descoberta.

MBP - Quem é você? 
Inaê Moreira - Sou Inaê, mulher, negra, artista. Defino-me como uma insistente sonhadora. Um corpo inquieto e ansioso por descobrir novos caminhos.

MBP - Como se deu a descoberta da sua negritude?
IM - Minha mãe Angélica, mulher negra, sempre foi militante na Bahia. Educada por ela, a consciência da minha negritude começou cedo. Naturalmente o círculo de amigos da família, assim como o ambiente do Candomblé, no qual fui criada, eram espaços de empoderamento.

MBP - O que te levou a escolher a sua profissão? 
IM - O desejo por ser artista começou como reflexo de uma relação familiar saudável e uma vontade de seguir o que pulsava em mim desde criança. Meu pai, artista plástico e design de jóias, foi um grande responsável por influenciar minhas escolhas. Desde pequena a dança e a expressividade eram virtudes que eu carregava, e quando comecei a fazer aulas na Escola de Dança da FUNCEB na Bahia, com 10 anos de idade, tive certeza que esse era o caminho a percorrer. Estimulada por meu pai que me levava a espetáculos de dança e me apoiava em todas as decisões, prestei vestibular para Dança na UFBA, chegando a me formar como professora. Anos depois me formei no Curso Integral de Circo na Argentina. Hoje me considero uma artista do corpo, com uma trajetória que atravessa diversas linguagens.

MBP - Como foi o caminho da sua graduação? 
IM - No Curso de Licenciatura em Dança me dediquei profundamente ao estudo acadêmico. Fiz parte de dois projetos de pesquisa: o "Memorial da Escola de Dança" e "GDC – Grupo de Dança Contemporânea", viajando com o espetáculo "POP-UP".
Foto: Safira Moreira
MBP - Quem são as pretas e pretos que te inspiram?
IM - Elza Soares, Nina Simone, Mercedes Baptista, Conceição Evaristo, Virgínia Rodrigues, Chimamanda Ngozi Adichie.

MBP - Quem é aquela mulher preta que você conhece e quer que o mundo conheça também?
IM - A minha mãe. Angélica Moreira, pedagoga, chef de cozinha. Uma grande mulher negra que luta todos os dias pelo que acredita com muita elegância. É a pessoa mais inteligente, íntegra e elegante que eu conheço. [risos]

MBP - Na sua trajetória profissional o quanto avançamos e o que ainda temos que avançar? 
IM - Avançamos pouco. Na escola de Circo fui a única aluna negra. Na aula de ballet continuo sendo a única. No meu trabalho sou a única professora negra. Muito temos que avançar ainda, ocupando esses espaços. Nas artes do corpo ainda estamos reduzidas a poucos espaços como o das aulas ou apresentações de danças de matrizes africanas ou capoeira, mas no ambiente da Dança Contemporânea, Moderna, Ballet Clássico, Circo, Yoga, etc., somos poucas e poucos. Sinto uma grande falta de representatividade nesses espaços.

MBP - Como você lida com a sua estética negra?
IM - Sempre usei o cabelo natural e o tema da aceitação sempre foi trabalhado desde pequena. Trançar o cabelo, exibir o black, valorizar a estética negra, é algo que trago de berço.


MBP - O que é representatividade pra você? 
IM - Representatividade pra mim é ocupar cada vez mais espaços de poder na nossa sociedade, empoderando os mais novos, valorizando aquilo que a nossa cultura produz. É me ver representada em uma artista negra, ser atendida por uma médica negra, ver um anúncio de margarina com uma família negra. Sinto que estamos dando os primeiros passos com relação a representatividade no Brasil.

Conheça a dança de Inaê Moreira:
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MULHERES PRETAS QUE MOVIMENTAM #8 - RENATA FELINTO

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por Karina Vieira
Foto: acervo pessoal
      Renata Felinto é artista. Dizendo assim, nem parece que essa palavra dá conta de tudo que essa mulher já realizou. Renata transborda, grita, põe na voz, no desenho, no corpo, na vida toda a arte que lhe cabe, seja nos seus post, no seu Flickr ou mesmo no seu blog. É paulista e atualmente reside em Crato, mas leciona em Juazeiro do Norte, atuando como professora na URCA (Universidade Regional de Cariri). Coordenadora/parceira de ações em instituições como a proponente da Pinacoteca do Estado de São Paulo e conselheira editorial da revista O Menelick 2º ato.

MBP - Quem é você? 

Renata Felinto - Eu sou Renata Aparecida Felinto dos Santos. Adotei Renata Felinto como sintético porque é menos comum. Ele é parte da família de meu pai, porém adoraria ter o Nascimento Benedito da família da minha mãe, herança da nossa escravização que meu pai achava feio e não deixou colocar, porém que considero importante não esquecer. É uma marca a ferro simbólica e duradoura. Não consigo me definir apesar de sempre pensar sobre mim, minha existência e etc. Poderia dizer que sou como uma formiga que faz tudo aos poucos e simplesmente faz, porque deve ser feito.

MBP - Como se deu a descoberta da sua negritude? 
RF - Minha família é negra da zona norte de SP por parte de pai e de mãe. Ela é negra na cor que o senso comum acha que deve ser o negro, somos marrons de cabelos crespos. Assim, nunca usamos a palavra moreno para nos definir, sempre fomos negros. O que aceitei ao longo da minha vida foi a relação com meus cabelos cujos cuidados estavam sempre entre as tranças e a chapinha ou algum tratamento químico para "soltar" os cachos, que me fizeram acreditar ser mais fácil. Minha família sempre conversou sobre racismo do ponto de vista da vivência e não do ativismo, até porque eram pessoas muito simples, mas com uma consciência de coletivo étnico-racial. Aos 25 anos me relacionei com um homem branco que perguntou por que eu não deixava meus cabelos naturais, que ele considerava lindo. Aí criei coragem porque tive o aval do homem que eu amava e que me amava, ele me achava bonita assim. Essa coisa de chapinha, química, entrelaçamento tem a ver com a insegurança que depositam na nossa imagem natural.

MBP - O que te levou a escolher a sua profissão?
RF - Eu sempre gostei de imagem, de cor, de observar especialmente imagens que me transmitiam algum significado. Juntei a esse gostar o fato da arte ser uma área das mais importantes para se pensar a humanidade. Cada vez que aprendia mais, me encantava mais. Eu gostaria de ser somente artista visual, porém também gosto muito da pesquisa, da escrita, da reflexão por meio da história das artes visuais. Decidi quando me dei conta de que havia uma universidade para além da lendária e elitista USP que oferecia o curso de artes visuais e que me parecia menos impossível de ingressar, a UNESP. Eu ouvi quando criança e disse que queria cursar faculdade: "quem vai pagar?". Sequer minha família sabia que existia universidade pública, para termos ideia das dificuldades e da exclusão. PROUNI, FIES, ENEM, agradeçam que existem essas políticas públicas. Precisamos de mais outras, entretanto, essas hoje são fundamentais para o aumentos de negras e negros nas universidades.


Foto: acervo pessoal
MBP - Como foi o caminho da sua graduação? 
RF - Ainda no Carlos de Campos que é uma ETEC voltadas às artes que existe no bairro do Brás/SP, uma amiga de sala falou que prestaria vestibular em artes plásticas na UNESP, que ate então eu desconhecia. Pensei muito praticamente: "se ela estudou os mesmos conteúdos que eu e vai prestar, é possível que eu passe". Fiz um ano de cursinho aos sábados trabalhando a semana inteira das 08h às 18h. Eu dormia nas aulas de exatas porque eram e são muito difíceis para mim, e chegava cansada de Itaquera até o Butantã, não existia metrô ainda, tinha que tomar dois ônibus e metrô... Perdi o vestibular neste ano e estudei em casa no ano seguinte quando tentei  novamente. Não passei na primeira chamada e nem vi mais a lista, nem imaginava que havia a tal lista de espera, desistências e tudo mais. O mundo acadêmico era totalmente desconhecido. Semanas depois chegou um telegrama dizendo que se eu não comparecesse para fazer a matrícula naquela semana, perderia a vaga. Minha irmã quem me deu a notícia muito feliz!!! Então, era diariamente um trajeto de três horas da COHAB II até o Ipiranga, quando não existia estação de metrô Ipiranga. Ônibus, metrô e ônibus. Acordando 5 da manhã para chegar atrasada ou às 07h30, se chegasse cedo. Dificuldades para adquirir livros, materiais, intercalando o estudo e o cumprimento dos trabalhos acadêmicos e artísticos com o trabalho de telemarketing. Ao mesmo tempo, eu pensava sobre a ausência nas disciplinas no curso em relação aos conteúdos de história da arte que tratassem da cultura africana, afro-brasileira, mas eu nada dizia. É um lugar muito opressor. Isso me incomodava demais e me invisibilizava diante dos colegas, porque é aquela coisa: "nossa história", mas eu não apareço na história. Haviam os professores como meu orientador, Percival Tirapeli, que compreendia essa minha realidade e aqueles que me humilhavam por chegar atrasada (por ser negra e pobre, na verdade). Foi difícil, mas valeu a pena não ter desistido. Era a única alternativa que eu via para ter conforto, ser uma profissional realizada ou próxima disso.

MBP - Quem são as pretas e pretos que te inspiram?  
RF - Olha, as mulheres pretas me inspiram demais. Exceto as que corroboram o machismo, todas me representam. Os homens pretos me inspiravam, porém também me decepcionaram e decepcionam muito quando observo que SEMPRE, sem exceção, são as mulheres brancas que escolhem como parceiras, como uma espécie de troféu que valida o sucesso deles e, ainda trazem justificativas absurdas como "amor não tem cor". Quando esses homens estudam e conhecem a nossa história parece um grande contrassenso, trabalham com a nossa história, porém não servimos para fazer parte das histórias deles sendo tratadas com amor e respeito. Somos irmãs mesmo, não companheiras. Dizer que não existimos no meio deles, que não ascendemos social e profissionalmente, não é verdade. Pois bem,  gosto muito do Carlos Moore, ele é fantástico, aprecio a postura dele no mundo e o aprender a nos amar, a nós negras. Eu mencionaria também o Emanoel Araújo, evidentemente, pelo conjunto de sua obra; o Sidney Amaral com uma linda pesquisa artística na qual tem trabalhado afetividade, estou esperando ele chegar nesse lugar do relacionamento; o Salloma Sallomão, que tem uma maravilhosa pesquisa sobre etnomusicologia e teatro negro; o Nabor Júnior pela sua ação com a O Menelick 2º ato; meus irmãos o Marcos, Edson, Victor, por estarem se encontrando, se repensando, fazendo seus corres com honestidade. Sobre as mulheres, eu admiro cada mulher negra sobrevivente neste mundo, cada uma, até a Naomi Campbell tão criticada por ser "mal educada". Negra tem que se submeter, né? Só me chateia as que coadunam com a violência ao manter relações, mesmo de sociabilidade, com homens que apresentam comportamento machista, violento e abusivo quando isso atingiu amigas, conhecidas, desconhecidas, ou a história pública. Acho um absurdo! Mas eu gostaria de destacar a minha mãe, Lilian, um verdadeiro exemplo, a Rosana Paulino que tem um impacto enorme na minha produção de artista visual, a corajosa Stephanie Ribeiro, a Djamila Ribeiro, a Ligia Ferreira, a Aparecida Bento do CEERT, a Cecília Calaça, a Elizandra Souza, Elvira Diangany Ose, a Diane Lima do NoBrasil, a Janaina Barros, a Venessa Lambert, minha tia Leila, a vó Alba, , a tia Célia, a irmã Roberta Felinto. Enfim, cada uma de vocês é uma sobrevivente da falta de amor, da falta de empatia, de carinho, de cuidados, de respeito, em maior ou menor grau, e eu admiro que estejam em pé, que levantem a cada manhã dispostas a viver num mundo que não nos ama como deveria.

MBP - Quem é aquela mulher preta que você conhece e quer que o mundo conheça também?
RF - Todas as atrizes da Capulanas Cia de Arte Negra: Débora Marçal, Priscila Obaci, Flávia Rosa, Adriana Paixão e Carol Ewaci. A Janaina Barros, artista visual. A Elizandra Souza poeta, a Luciane Ramos dançarina, a Michelle Mattiuzzi que é performer. Mulheres negras que têm transformado as nossas experiências profundas, dolorosas, afetuosas em arte.

MBP - Na sua trajetória profissional o quanto avançamos e o que ainda temos que avançar?
RF - Enquanto mulheres negras nós pouco avançamos. Ainda morremos mais nos partos, somos as maiores vitimas de câncer do colo do útero, somos as que mais sofrem violência doméstica e sexual, somos as mulheres abandonadas que criam as crianças sozinhas, somos as mulheres com quem transam no meio da noite e não levam para jantar. Ao mesmo tempo somos as empreendedoras que mais crescem economicamente, as que mais estudam agora com as políticas públicas, as que estão aprendendo, apesar de tudo, a amar a nossa natureza negra de cabelos que crescem em direção aos céus, somos as misses [risos]. Temos que aprender a nos impor diante do amor, ele não pode tudo, ele não nos governa.

MBP - Como você lida com a sua estética negra? 
RF - Para os cabelos eu uso linha específica para cabelos crespos da Lola, a Crioula. Xampu, condicionar e umidificante de coco. Para o rosto eu uso Dove para banhar e lavar o rosto. Uso hidratante no rosto e no corpo. Eu saio sempre maquiada. Gosto, me faz bem. Uso sempre o mesmo perfume, uma colônia de proteção que deixo junto das minhas entidades. Gostaria de fazer exercícios, mas agora não tenho nenhum tempo mesmo.

MBP - O que é representatividade pra você?
RF - É me ver, ou ver alguém que se pareça comigo em TODOS os espaços. Representatividade é equidade.

Conheça as artes da Renata Felinto: Flickr