RESENHA SEM SER RESENHA - LINHA TÔ DE CACHO DA SALON LINE

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por Tainá Almeida

Foto: Tainá Almeida
      Em Fevereiro, durante o carnaval, fui a uma perfumaria e encontrei toda a linha do #tôdecacho. Eu já tinha olhado aqui nas perfumarias do Rio, mas nunca encontrei o leave-in para o 4C. Depois de mais um dia de praia, decidi usar e depois pensei: PRE CI SO resenhar! Descobri que não sou uma "resenhadora" de produtos de beleza. Quando dei por mim já tinha escrito uma dezena de textos, nenhum deles em forma de resenha, nenhum deles falava de textura do produto, do cheiro, se ele era viscoso demais, pesado demais, leve demais ou quantos day after eu conseguia com ele. Aí comecei a assistir algumas resenhas no Youtube e pensei que não dava pra ser mesmo como essas minas! Elas são sinistras! Realmente falam de tudo sobre o produto, sabem as especificidades da composição de uma forma que eu nunca saberei explicar. Então, para uma resenha decente, fiquem com esse vídeo divo.



     Como não vi nenhuma resenha de menino e meu namorado já tinha experimentado meu creme e a gelatina, resolvi falar da nossa experiência como um casal crespo que divide os cremes. Também não deu certo. Os motivos para não dar certo são os mesmos de eu não saber fazer resenha [risos].

 
      A ideia adormeceu, apesar de a editora do blog sempre ficar me cobrando. Foi então que meu creme de pentear 4C da linha acabou! Fiquei olhando para aquele potinho vazio e me dei conta que é o primeiro leave-in que eu usei até o final. O cheiro não me enjoou, o cabelo não viciou e já penso em comprar outro.
      Meu crespo é tipo 4C, então achar um creme que o hidrate e não fique com aquele monte de poeirinha branca é uma missão bem complicada. Não consigo isso se usar a gelatina. A poeirinha vira uma nuvem a meu redor. Quando li no rótulo aquele monte de óleo e a promessa de deixar meu crespíssimo poderoso, desacreditei na hora. A verdade é que ele foi uma grata surpresa.  Ele realmente ajuda no aspecto de eterno ressecado nas pontinhas, os óleos realmente funcionam e tem a vantagem de ser liberado para no e low poo. Depois de Março meu cabelo começou a ficar muito ressecado, eu resolvi isso adicionando duas tampinhas do óleo Encrespando que o Chad fez especialmente para o Coletivo Meninas Black Power (dá uma olhada na page). 
      Este seria um post-resenha, virou um post-desabafo [risos]. A verdade é que esse creme foi um dos que meu cabelo mais gostou. O outro foi o Vida Intensa, também do Chad 

* Esse post não é um publieditorial 

THE BOOK OF NEGROES

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 por Tainá Almeida

Fonte: CBC 
     Ainda na década de 90, ou o famoso "desde que eu me conheço por gente", comecei com Nikita e Buffy, só que Deus é mais e hoje eu estou vendo seriados melhores (em outro momento venho contar ;) ). Nos últimos tempos a moda pegou, parece que os seriados vieram para dominar o cenário atual. Só se fala em séries, Netflix e no tanto que nossa geração está viciada nisso.
     Eu, como amante de ~viciada em~ seriados sempre tenho uma lista do que eu quero/preciso assistir. Desde o ano passado eu estou doente por uma série linda que apareceu como quem surge do nada "The Book of Negroes". Não tem em nenhum canal brasileiro, não tem nada indicando que essa série passará, mas descobri que tem um canal no Youtube que disponibiliza




      O livro e o seriado têm como plano de fundo a Guerra da Independência Americana e "The Book of Negroes" é um documento real onde foram anotados os nomes de mais de 3 mil pessoas negras que migraram para Nova Escócia como pessoas livre depois de ultrapassarem as barreiras britânicas e da promessa de ficarem no lado britânico durante a guerra.
        O documento "The Book of Negroes" tem duas versões, uma britânica com o mesmo nome que está em Kew, Londres; e uma versão americana chamada The Black Loyalist Directory: African Americans in Exile After the American Revolution (1996) (O Diretório dos Lealistas Negros: Afro Americanos em Exílio após a Revolução Americana), editada por Graham Russell Hodges, Susan Hawkes Cook e Alan Edward Brown em Washington.
        Sabendo que essa é uma história da época de escravização, já cheguem na preparação de choro livre. Já no primeiro episódio eu já chorei como uma bezerra desmamada. O seriado de seis capítulos conta a história das pessoas escravizadas nos Estados Unidos que migraram para o Canadá como homens e mulheres livres, por apoiarem os britânicos na guerra. Surpreenda-se com as imagens de África na tribo da jovem Aminata Diallo, interpretada por Shailyn Pierre-Dixon, onde ela era preparada pelos pais para ser grande! 
(Ative as legendas e a tradução automática para o português).


      Depois Aminata perde tudo, a tribo, seus pais e sua liberdade, mas não perde a si mesma. E vê o amor nascer de uma rocha! Chekura Tiano, gravem esse nome!

E esse rosto! 
       A história de Aminata deveria ser só isso, mas ela não permite. Ela é letrada, inteligente, 'pega' bebês, é uma contadora de histórias e forte. Aminata passa por muitas coisas para conquistar o que deseja, voltar para sua terra natal, promessa que ela faz ainda menina. Quando Aminata começa a escrever The book of Negroes, ela vê a possibilidade de mais uma vez conquistar seus objetivos. Aminata adulta é a maravilhosa Aunjanue L. Ellis. Todos os corações do mundo pra ela. 

Fonte: Emmys
"Meu trabalho era entrevistar os negros e repetir as respostas aos oficiais. Vi pessoas vindas de lugares que nunca ouvira antes. Alguns, eu não conseguia entender, mas fui capaz de coletar informações da maioria, e pude explicar-lhes o que estava escrito nas passagens que recebiam. A sala era lotada e quente, e os dias, longos. Mas, embora estivesse ansiosa para voltar aos braços de Chekura, eu adorava minha nova ocupação. Sentia que dava algo especial para os negros que buscavam refúgio na Nova Escócia, e que eles me davam algo especial. Diziam-me que eu não estava sozinha."

       Para não ficar mais longo e para eu saber que apenas darei um spoiler, falarei o que eu acho mais importante (mentira, eu queria contar tudo). Aminata Diallo começa se apresentando, nome completo, nome do pai e a profissão, nome da mãe e a profissão. Aminata depois explica que é assim que uma contadora de histórias começa a contar sua história, pois só se sabe para onde vai, sabendo de onde vem.
"Como falei, sou Aminata Diallo, filha de Mamadu Diallo e Sira Kulibali...Creio que nasci em 1745, ou por aí. E estou escrevendo este relato. Todo ele."
       Olha nossa ancestralidade aí sendo clamada! Ela é incrível, o nome tem um peso tão grande que depois de sequestrada Aminata e Chekura protagonizam uma das cenas mais lindas, quando um diz o nome do outro, um celebra a ascendência do outro, um celebra a descendência do outro, um amor como poucos. E já adianto que a história desses dois é de muito amor e muita dor.
“Ela me perguntou por que eu era tão negra. Eu lhe perguntei por que ela era tão branca.”

     Esse é um post desejoso de que esse seriado de 6 capítulos seja liberado para que possamos chorar por aqui também. Quem sabe a Netflix não compra, aí poderíamos ser mais felizes em nossas maratonas. ;) 

TESTAMOS OS BATONS AVON ULTRAMATTE !

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por Meninas Black Power

      Quem nos acompanham no Instagram deve ter visto há um tempo: recebemos nada menos que um kit incrível da Avon contendo todas as cores dos novos batons UltraMatte para testar e contar aqui. Chegou a hora!  São 10 cores - entre tons de nude, rosados e vermelhos - que prometem maior fixação e com pigmentação mais intensa. Confiram todas as opções no link que indicamos, ok? Cada uma de nós escolheu seu favorito, testou e veio mostrar pra vocês. Vejam abaixo os cliques (feitos pelos parceiros do @qmcoficial e make da lindona @maiaboitrago)!


Tainá Almeida - Rosado UltraMatte

 Suzane Santos - Orquídea UltraMatte

Maria Fernanda - Vermelho UltraMatte

 Jaciana Melquiades - Cereja UltraMatte


 Élida Aquino - Framboesa UltraMatte

Jessyca Liris - Melancia UltraMatte


Karina Vieira - Malva UltraMatte

      É super importante que nós, mulheres negras, tenhamos cada vez mais espaços entre produtos cosméticos e que a gente consiga se ver na publicidade das marcas das quais compramos. Pra nós é um prazer poder representar isso de alguma forma e esperamos que vocês curtam o post, Meninas! Parabéns à Avon por estar de olho na gente. Que produtos e campanhas que tenham nossa cara - em todos os sentidos - não deixem mais de acontecer.  Beijos do time!
*Esse post não é um publieditorial

SOBRE A NÃO ROMANTIZAÇÃO DO MEU CORPO NEGRO

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por Lais Reverte

Foto: Acervo pessoal
      Há um tempo, vi uma entrevista onde um casal falava de como iniciou-se a relação. Ela dizia: "uma noite estava em casa conversando no celular com ele e contei que estava lendo um livro, assim que eu desliguei, ele procurou o livro na internet pra ler durante a madrugada e poder conversar comigo no outro dia sobre". Ele então olhou pra ela e disse: "sim, eu fiz isso, tinha que ter um argumento para falar com ela no outro dia, né?". Ela conclui: "foi aí que ele me conquistou".
      Conquista -  con.quis.ta (sub.fem.): ação de lutar para se obter o que se quer; o que se obtém através de esforço ou trabalho.¹ Inicio aqui esse texto, após essas duas referências basais, para chegar onde desejo. Venho há meses pensando em como formular tudo o que preciso dizer, sem parecer vitimista e nem universal. Então entendam esse texto como um testemunho, um desabafo. Já me convenci de que o romance romântico, novelístico, comercial, não é feito para a realidade. É cansativo ver o tanto de mana preta, branca, binária ou não, cis ou trans, tendo a mesma reclamação da inexistência dos "príncipes em cavalo branco". Deixo isso exposto para não entenderem que o  que venho falar não tem relação apenas com o amor romântico.
      Indo de encontro as minhas experiências, inclusive das mais recentes, chego a fatídica verdade que não para de martelar a minha mente: meu corpo preto não foi feito para ser romantizado, muito menos amado. Cresci vendo que a opção primária, sem subjugação, sem escolhas de outrem, não são minha realidade. Qualquer, digo QUALQUER, decisão que por mim venha a ser tomada sempre passa por uma série de aprovações e desaprovações prévias, inclusive a possibilidade de escolher, tanto que isso já está intrínseco na minha personalidade. Não sei seguir em qualquer caminho da minha vida sem uma aprovação prévia, ou uma ordem superior de que devo escolher ou não. Partindo para o lado das relações interpessoais, quaisquer que seja, não sou nunca a primeira a decidir o que seguirá, nem a que porta o poder de decisão, no máximo a que apresenta as opções ou a que escolhe entre sofrer ou seguir em frente, afinal querer ficar nunca me é um escolha, sempre escolhem ficar ou não.
       Já tendo a realidade de um indivíduo secundário que sou, seguro a marimba de nunca acreditar em qualquer manifestação de afeto que, supostamente, é dirigido a mim. Digo "supostamente" por nunca acreditar que esse afeto é real. Fui treinada para pensar que não sou digna dele. Me dizem se me querem ou me dizem se me deixam, não me dão a vivência de me sentir feliz e bem e de estar fazendo o outro feliz e bem (se estou feliz, estou só), logo, não acredito em afeto algum por mim. E isso não é uma verdade formada por teorias, mas sim em vivência. Me recordo de que em todos supostos namoros que tive, e até mesmo no único namoro propriamente dito que vivi, o esforço e extrema negação de mim pra poder viver tal experiência (que hoje vejo de forma extremamente positiva, por ter me feito crescer e conhecer a pessoa maravilhosa com quem convivi) me fizeram crer, recentemente, que nunca escolhi nada, apenas nego a mim e minhas vontades e faço o que julgo ter de ser feito.

Foto: Acervo pessoal
       Daí me ponho de frente às minhas posturas atuais no processo de conhecer o outro. Me recordo que todo primeiro contato é feito a partir de um elogio (ou não) sobre meu corpo preto. Falam do meu cabelo, do quanto acham ele estiloso, lindo e diferente. Falam da minha pele, do quanto gostam dela, como é lisa e queriam tê-la pra si naquele momento ou ter nascido com ela. Falam dos meus seios ou bunda, do quanto são fartos e o quanto eu devo ser feliz e boa de cama por eles serem assim. E aí, acostumada com qualquer associação da minha personalidade à minha imagem, que vem sendo ratificada como pessoa que dá prazer em qualquer canal de TV (tipo Globeleza e afins), qualquer filme ou cena de novela, não tenho a noção do que é ser reconhecida como PESSOA sem antes ser reconhecida pelo meu corpo preto, única parte em mim que parece ser digna de qualquer coisa. Portanto o uso como cartão de visita, e entendam, essa não é uma escolha minha. Usá-lo dessa forma não é algo que eu goste, e isso é determinante para a formação do que enfim irei dizer.
       Meu corpo preto não foi feito para ser romantizado, muito menos amado. Sou só mais um corpo preto que resiste pra existir, usado principalmente na noite, nos cantos, esquinas, quartos escuros de um motel barato, porque era o que o dinheiro dava ou a minha dignidade pedia. Sou só um corpo que não tem alma, não tem a opção de ser querida ou entendida, e se alguma migalha me é dada, me agarro como se fosse a minha única e última forma de respiração e esperança de ser reconhecida apenas como mulher que também necessita amar e ser amada e bem quista. Não tenho a opção de precisar ser cuidada, de ser frágil e insegura porque tenho um corpo que conhecidamente é mais forte, mais rígido, mais agressivo (de onde saiu isso tudo de mim que sempre dizem que tenho?) e por isso aguento, aguento sempre. Sou um corpo que, quando é a amiga, é a mais escandalosa do rolê e que é chamada pras experiências mais loucas, afinal, eu com certeza devo aceitar de tudo, né? Sou um corpo que, numa amizade, é quem espera, quem não recebe o convite pra sair, quem sempre precisa correr atrás pra que algo aconteça.  Sou um corpo que é chamado no fim da noite pra uma trepada e nada mais. O suposto empoderamento me faz acreditar que tenho poder de escolha, que tenho a opção de querer ir ou não e estou acima de qualquer coisa por ter sido a escolhida, mas na realidade estou só no fim da lista de possibilidades pra uma foda qualquer (que, diga-se de passagem, deve ser bem rápida e o mais discreta possível). Sou um corpo preto digno de ser cortejado no inbox, privado da vida, por aqueles que já tem sua cota romântica gasta com as parceiras-padrão e essa "neguinha" que vos fala só é tratada como gostosa e "nossa que tesão tenho por você". Sou MAIS UM corpo preto que não sabe o que é romance e precisa lutar pra viver e aprender a amar, visto que essa palavra pra mim só é um verbo sem qualquer sentido de ação.

        Sabe aquela historinha real que contei no início? Ela nunca vai acontecer comigo, e isso não é culpa minha (pelo o menos me esforço para acreditar que não).

¹ Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2016

MBP TESTOU - LINHA CAVALO FORTE DA HASKELL

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por Tainá Almeida
      Já conhecem a linha Cavalo Forte da Haskell? De cara esse nome me trouxe lembranças daquele produto que não devemos passar no cabelo e que promete crescimento, força e tudo mais. Para vocês que estão tristes por não poder usar o proibido, podem ficar mais alegrinhas. Esse produto da Haskell vem com essa promessa de cabelo forte! (yay!!!)
       A linha é rica em Biotina, Pantenol e Queratina e aqui no site vocês podem saber mais sobre cada uma dessas substâncias. Eu tenho 4C, Meninas Black Power, vocês entendem que isso quer dizer cabelo com mais necessidade de hidratação, óleos e manteigas. Então na sequência vai minha visão. Segurem aí!
      Sabemos daquele drama de encontrar um shampoo que não resseque o fio ao primeiro contato. Esse realmente não deixa o fio ressecado. Poucos produtos industrializados têm esse efeito no meu cabelo. Os dedos correram como se não tivesse shampoo e os fios ficaram extremamente limpos e macios. É bastante concentrado. No meu processo de limpeza, sempre diluo o shampoo numa proporção de duas partes de água para uma de shampoo. Aprendi que funciona melhor para mim. De tão concentrado que ele é, na segunda vez que usei, diluí na proporção de 4 partes de água e uma de shampoo. Ficou bem ralo, mas limpou muito bem. Não senti agressão depois do enxágue. Foi bem tranquilo mesmo. Só esqueci de contar que essa maravilhosidade tem um brilho dourado, me senti rycah! Eu não faço no ou low poo, então não tive questões com a composição.
     Depois utilizei a máscara de tratamento. Ela precisa de uma dedicação maior e fica para o próximo post. Mas é ótima e casou super bem com a necessidade do meu cabelo, que estava bem ressecado. Finalizei o tratamento com o condicionador, para fechar as cutículas do fio e manter todas as coisas boas dos produtos lá dentro. 


Após o tratamento e finalização
      O resultado foi incrível! Cabelo macio, sem aspecto opaco e senti diferença no meu fator encolhimento. O cabelo ficou bem grandinho.

SER PRETO

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por Victor Soares
Foto: Projeto Ah, branco, dá um tempo!
      Sou eu mais um exemplo do povo brasileiro: filho de imigrante preto e mãe branca, menos pigmentado, cabelo crespo... Enfim, alguém como a maioria esmagadora da nossa população. No Brasil, ter a pele mais clara possibilita alguns benefícios dos quais poderia usufruir se me identificasse como branco. Somos muitos pretos "facultativos", "pardos" e outras classificações com nomes estranhos que só existem aqui.
      Tenho a pele clara o suficiente para já ter sido chamado de branco na vida, ignorando meus traços, cabelo e origem. A miscigenação trouxe um conflito de identidade no brasileiro que foi educado com a premissa de "branco é bom, preto é ruim". Se você é uma mistura dos dois é enquadrado na bizarra paleta de cores do moreno claro, jambo, mulata (palavra horrível), onde quanto mais escuro você é, mais você vai sofrer.


Foto: Projeto Ah, branco, dá um tempo!
      Então, por que me declaro preto? Sou mais claro, poderia simplesmente raspar a cabeça e passar "despercebido". Passei a minha infância de cabelo raspado, afinal, menina crespa alisa e menino crespo raspa, só para atender aos padrões daquela sociedade que transforma maioria em minoria.
       Como a maioria pode ser oprimida? No meu ponto de vista, o motivo é que a maioria preta desse país não se vê como tal. É fundamental a luta dos coletivos (como as maravilhosas MBP), grupos e instituições pelos direitos e o empoderamento dos negros. Eu me declarei homem preto no trabalho e me disseram: 
— Não, você é moreno! Pois na cabeça deles é absurdo alguém escolher ser preto quando teria a opção de não ser.

Foto: Projeto Ah, branco, dá um tempo!

     Chamo a atenção pelo meu cabelo crespo, ouço piadas preconceituosas e insinuações porque não me encaixo nos padrões esperados para um engenheiro numa grande empresa, mas sigo em frente, estou na linha de frente, mais um homem preto em um corporativo e engravatado mundo branco.
       Estamos chegando lá, mano, somos reis e rainhas. Ah, se quiserem cortar meu cabelo, já tenho a resposta na ponta da língua afiada. Agora que descobri ser rei, não venha querer tirar minha coroa. Agora que nos deram voz, não vamos mais nos calar.

Saiba mais sobre o tema: 
Blogueira Negra - Colorismo: quem decide?

* Victor Soares, autor convidado, é um homem preto, formado em Engenharia Civil e pós-graduação em Logística. Jogador de basquete nas horas vagas.

20 TED TALKS POR 20 MENINAS PODEROSAS

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por Élida Aquino


      Acredito no poder da inspiração dividida. A maior parte das mudanças individuais e coletivas entre mulheres negras ao redor do mundo têm tido muito de inspiração envolvida no processo, aliás. Compartilhar e motivar umas às outras é combinação certa pra trazer liberdade, revolução interna e crescimentoPensando nisso juntei essa lista, inspirada numa série do Twenty Ten Talented (que é uma fonte ótima!) e incluindo pitacos meus, com várias Meninas Black Power que já passaram pelo TED e têm muita inspiração pra dar. TED é uma plataforma onde gente inovadora pode falar sobre o que faz de forma objetiva. Começou em 1984, numa conferência de Tecnologia, Entretenimento e Design e se tornou esse super espaço de democratização do saber. Foi num TED, por exemplo, que rolou a famosa fala da Chimamanda sobre "o perigo da história única" Peguem essas dicas. Escolhi só 20, mas existem muitas outras.  Não deixem de assistir por causa dos idiomas desconhecidos, ok?! Habilitem as legendas e vamos lá!

1. MAYA PENN - TEDWomen 2013
Um exemplo para jovens empreendedoras e abre minha lista por ser referência de poder e criatividade pra mim. Quanta energia essa garota tem! Empresária, desenhista, ativista e o que mais der. Maya começou a primeira empresa aos 8 anos e durante a carreira reflete muito sobre sustentabilidade. 

2. GEORGIA GABRIELA SAMPAIO - TEDxLaçador 2015
Impossível não citar! Essa pesquisadora da Bahia, aceita em várias universidades gringas, responsável pelo desenvolvimento de um kit para diagnóstico mais rápido e acessível de endometriose que beneficia mulheres – majoritariamente negras – à margem da atenção de saúde e com currículo crescente que inspira todas nós, passou pelo TED explicando sua trajetória, a pesquisa da endometriose e outras coisas.

3. ANNE-MARIE IMAFIDON - TEDxBarcelonaED
Aos 11 foi aprovada no exame A-level Computing, de Cambridge, e sempre dá o nome. Anne tem uma careira incrível ligada ao empreendimento, matemática e inovação tecnológica (só está na casa dos 20!). Nessa palestra fala sobre o impacto do desenvolvimento dessas ciências, a importância de incentivar meninas para que estejam inseridas nelas e como aumentar o número de startups e outras iniciativas empreendedoras lideradas por meninas ao redor do mundo.

4. ELIZABETH NYAMAYARO - TEDWomen 2015
Ela chefia a iniciativa HeForShe, de ONU Mulheres, com o objetivo de conscientizar meninos e homens para igualdade de gênero e valorização do feminino. Nessa palestra faz "um convite aos homens que querem um mundo melhor para as mulheres".

5. RAKIA REYNOLDS - TEDxBarnardCollege
Maravilhosa! Rakia é das comunicações e empreende nessa área com a Skai Blue Media, uma agência de comunicação multimídia criada por ela. Nessa palestra fala de suas experiências na caminhada cheia de barreiras, fracassos, surpresas e alegrias até alcançar sucesso no que curte fazer. É extremamente inspirador para jovens empreendedoras.

6. MAAMEYAA BOAFO - TEDxAccra
O título dessa conversa é "sendo o meu verdadeiro eu, sem desculpas". Maameyaa, uma jovem africana, conta como foi o caminho até chegar aos Estados Unidos e construir o sonho de ser atriz.

7. OLA OREKUNRIN - TEDxBerlinSalon
Ola é médica e piloto de helicópteros. Criou o primeiro serviço aéreo de ambulância da África Ocidental e nessa conversa sobre "womenomics" – economia das mulheres - discute a força feminina no mundo dos negócios.

8. THANDIE NEWTON - TEDGlobal 2011
Thandie já esteve em filmes representativos como Para Meninas de Cor (For Colored Girls). Aqui conversa sobre construção de identidade de um jeito super interessante e leve, a partir das suas experiências como criança que estava entre culturas distintas, passando por dados científicos sobre o conceito de raça até a vivência como atriz que lida com vários "eus".

9. MICHAELA DEPRINCE - TEDxAmsterdam
Nasceu em Serra Leoa, 1995, e cresceu órfão em tempos de guerra civil. Era conhecida como "filha do diabo" por causa do vitiligo, mas através de uma história de sofrimento, dor e perda, chegou às realizações incríveis. Hoje é uma bailarina renomada, foi adotada, reside nos EUA e não para de brilhar. 

10. KIMBERLY BRYANT - TEDxKC
Kimberly fundou o Black Girls Code para introduzir uma nova geração de meninas negras no mundo da programação e tecnologia. A ideia na conversa "Desafiar o Impossível" é falar sobe como essas jovens codificadoras podem tornar-se construtoras de inovação tecnológica e de seus próprios futuros.

11. ZAIN ASHER – TEDxEuston
Pegada motivacional das boas. A jornalista âncora da CNN discute aqui sobre como aproveitar o sucesso.

12. ALLYSON HOBBS – TEDxStanford
Allyson é professora de História Americana e Afro-americana na Universidade de Stanford. Seu primeiro livro chama-se, em tradução livre, "Um Exílio Escolhido: a História da Passagem Racial na Vida Americana" (A Chosen Exile: A History of Racial Passing in American Life) e examina os fenômenos de questão nos Estados Unidos a partir do final do século 18 até agora. Essa palestra é sobre o que ela observa dentro do tema.

13. PATIENCE MTHUNZI - TED2015
Revolucionando na saúde, sim! Patience explica sua ideia de usar lasers para enviar as drogas drogas diretamente às células infectadas pelo HIV.

14. KAKENYA NTAIYA – TEDxMidAtlantic
Kakenya fez um acordo com seu pai: ela sofreria o rito tradicional Masai da circuncisão feminina se ele deixasse ela frequentar a escola.  Nessa conversa fala de como chegou à faculdade e de como idealizou um escola para meninas em sua comunidade.

15. DAYO OLOPADE – TEDTalentSearch
Dayo é repórter do The Daily Beast, The Washington Post e The New Republic e discute suas observações de viver na África enquanto trabalhava em um livro sobre criatividade, tecnologia e desenvolvimento no continente e como foi a construção dessa "nova narrativa africana".


16. AMMA ASANTE - TEDxBrixton
Amma Asante é a diretora do filme Belle. Ela discute sobre o desafio de trabalhar em Hollywood, onde apenas 0,4% dos diretores são mulheres negras, e a pressão de viver sob a definição que lhe davam. É uma conversa sobre definir-se a si mesma.

17. SARAH LEWIS - TED2014
Sarah Lewis, historiadora da arte, fala sobre a importância de falhar, experimentar e outros processos no crescimento individual.

18. MELLODY HOBSON - TED2014
Vamos falar sobre raça, cor e mercado de trabalho. Mellody Hobson, é diva, presidente da Ariel Investments, fala abertamente sobre como esses fatores - e, particularmente, a diversidade na contratação – pode melhorar os negócios e a sociedade.

19. FADEKEMI AKINFADERIN-AGARAU – TEDxEuston

Fadekemi interrompeu a carreira na medicina e deixou os Estados Unidos depois de uma experiência como pesquisadora de HIV na África do Sul. Ela é co-fundadora da Educação Como Vacina (Education as a Vaccine), ONG que desenvolve e implementa programas inovadores para melhorar a qualidade de vida de crianças e jovens vulneráveis na Nigéria.

20. DIANE LIMA – TEDxSãoPaulo
Comecei com inspiração e referência pessoal, então fecho do mesmo jeito. Recentemente tive o prazer de passar algum tempo com Diane e pegar essa energia de perto. Façam o mesmo! Ela, que é designer, atua diretamente como diretora criativa do Instituto NoBrasil e idealizou a campanha #deixaocabelodameninanomundo, fala sobre o processo criativo como arma para liberdade, igualdade e empoderamento.


Essas são algumas das minhas favoritas. Vocês querem indicar outras conversas boas? Então deixem aqui nos comentários, mandem por mensagem ou e-mail. Vamos trocar e contagiar nosso mundo. Beijos!