#FALANDODETRANSIÇÃO COM THAYNARA ARAUJO

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

Fotos: Acervo pessoal
    Desde sempre compartilhamos depoimentos sobre o processo de transição. É importante pra gente repassar exemplos de descoberta, de liberdade. Isso inspira, motiva e mais que tudo: mostra que é possível reposicionar o conceito já conhecido sobre a beleza de quem somos através de nossos traços, nossas pigmentações, nossas texturas no cabelo e por aí vai.
        Hoje temos o prazer de receber a Thaynara Araujo. Ela vai contar a experiência de transição (e inspirar pra caramba!). A casa está aberta pra todas que quiserem fazer o mesmo. Use a hashtag #falandodetransição, mande email pra blogmbp@gmail.com, entre em contato com uma das integrantes do Coletivo Meninas Black Power... Enfim, use esse espaço. É nosso, é seu. Agora aproveite a ideia da Thaynara e vá lá se conhecer. Beijos!

"Enquanto mulheres e meninas negras, somos submetidas, todos os dias a um padrão imposto pela sociedade que não nos contempla. Querem que disfarcemos nossos traços, nossa cor e, principalmente, nossos cabelos. Essa imposição começa desde a mais tenra idade, na pré-escola. Na mídia, há pouquíssimo espaço para representação. Na escola, somos chamadas das maiores atrocidades possíveis e assim por diante. Comigo não foi diferente. Aos três anos, fui submetida ao mundo do 'relaxamento capilar' pela minha mãe. Numa realidade muito comum à mulher negra, ela trabalhava em três turnos e não tinha tempo para cuidar de um cabelo tão volumoso e 'trabalhoso' quanto o meu. Assim, fui apresentada à guanidina, que usei por longos anos. Durante toda minha infância e adolescência passei pelos mais variados tipos de 'relaxamento': guanidina, lítio, tioglicolato e também por outros tipos de química, como o henê indiano. Tudo com o mesmo objetivo: tornar meu cabelo mais 'maleável', de forma que fosse aceito pelos padrões estéticos da sociedade. Aos quinze anos, conheci o que foi pra mim a realização de um sonho na época: a progressiva. Ela seria o fim de todos os meus problemas, já que prometia o resultado sempre tão buscado num cabelo liso, sem volume, sem frizz. Isso significava que eu poderia ser como as meninas da minha turma, que eu poderia ser bonita também. Mas junto com a ilusão e a esperança veio o grande 'problema'. Uma raiz que nunca ficava lisa e os retoques sucessivos, cada vez num tempo menor, a fim de tentar manter um aspecto 'natural' do cabelo. Assim como muitas, foram muitos dias nos salões, aguentando enquanto a química agia no meu couro cabelo, ardendo, coçando e muitas vezes, chegando a abrir feridas. Eu não entendia o porquê daquilo e muito menos porque eu sempre ouvia o mesmo 'mulher [negra], pra ficar bonita, tem que sofrer'. Eu queria ser como todas as meninas brancas que eu conhecia, apesar disso, por mais que eu tentasse, eu não conseguia. Meu questionamento enquanto mulher preta começou quando eu tinha por volta de 15 anos, estava no Ensino Médio e comecei a estudar em uma escola pública Federal. Ainda assim, eu não me sentia representada naquele espaço, no entanto, já me perguntava sobre todas essas questões. Graças à internet e ao amplo acesso às informações que nós temos hoje em dia, conheci grupos na internet, como o Meninas Black Power, onde muitas meninas se encontravam na mesma situação que eu e só então fui capaz de compreender muitas questões, principalmente o racismo e o sexismo. Em 2013, conheci a transição capilar (processo onde você deixa seu cabelo crescer naturalmente para tirar a parte com química dele). Eu não conhecia a textura do meu próprio cabelo, não sabia como cuidar dele e não imaginava como ele ficaria natural. Por muito tempo, acreditei que não seria possível ele voltar ao normal. Foi um processo muito difícil, pois não tive apoio nem da minha própria família. Me falavam sempre o quão 'duro' meu cabelo ia ficar, que ele ficaria feio, que eu não ia aguentar e me arrependeria. Quatro meses depois, cortei meu cabelo com apenas três dedos de raiz e durante algum tempo eu o deixei crescer natural, mas com tantas críticas, acabei ficando com a autoestima muito sensibilizada e voltando a fazer progressiva no cabelo, só para 'soltar os cachos'. Não deu certo. Depois de algum tempo, meu cabelo estava completamente disforme de novo. Durante um ano, conheci muitas amigas que me deram força para voltar à transição e assumir meu cabelo. Comecei a colocar esse ato enquanto político, acima de estético. Não era mais apenas uma questão de ficar livre da química, e sim um ato de resistência, de amor à mim mesma, a minha cor e aos meus traços. Finalmente me entendi como mulher negra e só assim a transição foi possível. Dessa vez foi diferente. Não era mais algo realizado por influência externa e sim uma necessidade interna. Mais uma vez, cortei meu cabelo. Ouvi, novamente, muitas críticas mas tive o apoio necessário para continuar. Atualmente faz cerca de um ano que mantenho meu cabelo natural. Acima de tudo, fico muito feliz por sido considerada um exemplo e ter conseguido apoiar amigas que passaram pelo mesmo processo. No lugar onde eu trabalhava, muitas meninas hoje já passaram pela transição, bem como na minha família também. É sempre importante ter essa representatividade, para que possamos entender onde estamos, quem somos e saber que podemos e devemos ocupar 
todos os espaços."

A DONA DO RAPJAZZ - MBP ENTREVISTA TÁSSIA REIS

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por Karina Vieira

Foto: Ericsigaki
     Há alguns meses atrás fui apresentada a um som que foi me arrebatando aos poucos,uma voz gostosa, daquelas que você não consegue parar de escutar. A música era assim: 
Eu fico sempre na moral
Mas, sabe? Más noticias abalam o meu astral
Eu tô legal, não tá ruim
Tô forte, tô viva, tô bem longe do fim
Acho, né?
Sempre levando uns toco, a vida dando uns soco
Há quem ache que é pouco, mas não é
Mas nem ligo pros outros, quero chegar no topo
Loucura racha coco. Sem ibope pra mané
Sem desperdiçar energia
Várias patifarias querendo me arrastar
Não dou ideia pra essas heresias
Sou de periferia, tipo, ruim de se enganar
Mas deixa os bicos zoar
Ninguém vai assumir, mas todos querem brilhar
Minha intuição quer cantar, tira um segundo pra ouvir
Que eu não costumo falhar...”
      Corri pra descobrir a dona daquela voz, daquele beat poderoso, e me deparei com Tássia Reis, 25 anos, rapper, paulista do interior, Jacareí. Já apaixonada, quase surtei quando recebemos o convite para participar de um laboratório chamado Atravessamento, ministrado pela Tássia e pela Isis Carolina no evento PRÉ-ELLA, na Casa Coletiva, aqui no Rio. Algumas tardes de trocas, conversas e um ótimo show acabaram nessa entrevista. Espero que vocês curtam e conheçam um pouco mais  da Tássia e toda sua musicalidade.

MBP - Quem é Tássia Reis?
Tássia Reis - As perguntas simples são as mais difíceis de responder [risos]. Eu sou uma pessoa determinada que gosta de criar e transformar as coisas, de unir pessoas, de questionar. Talvez por isso, meu impulso musical e artístico, acredito que a música e arte no geral tem esse caráter além de aquecer a nossa alma. Muitos dizem que sou muito corajosa e até maluca. Talvez eu seja também.
Foto: Acervo pessoal
MBP - Como se deu a sua vivência enquanto mulher preta? Como você descobriu que é uma mulher preta?
TR - Lembro do meu pai me dizendo (e até hoje diz) que somos lindos porque parecíamos com ele. Ele brincava com propriedade porque é lindo mesmo, então esse ensinamento foi algo orgânico. Fez muita diferença pra mim, quando entrei na escola. Acredito que a escola é o pior lugar para uma menina preta. É um bombardeio de informações e estereótipos racistas que faz você acreditar que é menos. Quase sempre acreditamos. Meus pais me achavam linda, mas na escola não me achavam, e esse período que transita da infância para a adolescência é muito cruel pra nós. Minha lembrança de me sentir maravilhosa e vencer todo esse vírus foi quando conheci a cultura Hip Hop e tive referências fora de casa. Quando me apresentei pela primeira vez com o meu primeiro grupo de dança, senti que o que meu pai sempre me dizia e diz. Sempre foi verdade eu ser linda e maravilhosa.

MBP - Você já participou de algum movimento (movimento negro/coletivo negro)?
TR - Sou o tipo de pessoa que se envolve muito no que faz. Quando comecei a dançar não foi diferente. No começo dançava numa oficina de dança e me dediquei muito pra aquilo, o que fez criarmos autonomia para dançar além das oficinas. E fui passando de grupo em grupo, porque a realidade colidia com a nossa utopia de ser dançarinos profissionais, e muitos desistiram. Até que passei estive num grupo em especial. Se chamava Stylo Guetto e ao passar por esse processo de saída das pessoas, as mulheres do grupo resistiram e naquele momento senti que tínhamos uma parada pra fazer. Nos unimos, fizemos uma coreografia com rap nacional e lutamos pra apresentar num festival de dança que pra gente foi a glória. Autonomia de criar e apresentar algo por nós mesmas foi incrível! Foi a primeira movimentação de que me lembro. Depois acabamos nos tornando uma pequena crew que tumultuava nos eventos, representando sempre nas rodas de dança, um bando de mulher dançando muito.

Foto: Anna Mascarenhas
MBP - Como é a sua relação com o seu cabelo? Você passou pela transição?
TR - Eu sempre gostei do meu cabelo, mas tinha vergonha porque as outras pessoas não gostavam. Sempre fui resistente a fazer um alisamento. Achava que não combinava comigo o cabelo alisado. Porém fiz diversos relaxamentos com o pretexto de "soltar a raiz" pra ficar mais fácil de pentear. Usava preso ou trançado. Minha mãe trançava meu cabelo. Quando cresci, ela não podia mais trançar porque não tinha tempo, aí aprendi a trançar e me trançava sozinha. Na escola eles me viam como a "garota estilosa" por causa da trança, mas a bonita com certeza não era eu (na visão deles). Quando terminei a escola em 2006, eu tinha 17 anos e já ensaiava meu crespo natural. Já andava com ele solto, fazia menos relaxamentos, já fazia as nagôs mais "loucas". Acho q sair da escola foi libertador. Me lembro que em 2010 meu cabelo estava totalmente natural e mais uma vez me senti maravilhosa. Depois disso fui mudando por estética. Queria mudar e mudar. Até fiz um processo de relaxamento, mas não era isso que queria. Em 2012 eu resolvi cortar meu cabelo e me inspirei no corte da Rihanna em Rude Boy, só que crespo. Abalei!!! Fui diminuindo aquele moicano até que virou o topete, que uso no clipe Meu RapJazz. Depois daí, em 2013, eu realizei o sonho que era raspar a cabeça. Me lembro que vi uma mulher negra e careca numa festa em 2006 e ela parecia a pessoa mais elegante que já tinha visto. Fiz! Raspei e desmitifiquei o mito de que o cabelo era a moldura do rosto. Me perguntaram se eu odiava meu cabelo, ou se havia me tornado homossexual (não é brincadeira!) e não foi nenhuma coisa e nem outra (no caso da segunda eu tenho muito o direito de me tornar se assim um dia desejar!) eu só queria ver o meu rosto. As pessoas te fazem refém dos estereótipos. Eu odeio que me digam o que eu tenho que fazer. Todos te cobram, você tem que usar alisado, você tem que usar crespo, você tem que cortar, você tem que deixar crescer, você tem que pôr aplique, você não pode pôr aplique. Entendi que o que tinha que fazer primeiro era me amar como vim ao mundo, e se eu quiser mudar o meu cabelo é porque eu quero. Porque eu não sou obrigada a nada. No momento estou deixando crescer porque estou morrendo de saudades de bater o meu cabelo. 

MBP - Qual é o conceito do EP ? O que você espera expressar com ele?
TR - O conceito básico do EP é me apresentar. É como se fosse um grande "oi!" que gostaria de dar ao mundo, contando um pouco de minha história começando pela minha infância, citando algumas experiências, falando também sobre minha esperança no amor e minha autoestima, da minha ansiedade e do modo como gostar de enxergar as coisas com positividade, questionamento e romantismo (de um modo geral).

MBP - O que é ser mulher preta no rap?
TR - O machismo existe, é parte da estrutura da nossa sociedade. No rap é muito presente. Dá pra notar quando estereotipam o meu som para tornar mais ameno e não chamam de rap, pelo fato de eu falar com doçura ou romantismo da minha vida. Ao mesmo tempo, quando dou um texto mais falado, insinuam que estou rimando como um homem ou de ter um posicionamento radical. Além das insinuações de que você deve ter pegado fulano pra conseguir tal coisa. Esses papos que dão preguiça, sabe? Ou até mesmo sobre roupa curta e essas coisas. Qualquer dia vou aparecer de maiô só pra quebrar a banca e aí eu vou rachar de rir dos "caga-regra" de que mulher não pode isso, não pode aquilo [risos]. Tem também o lance de dizer que é som pra mina ouvir, mas eu preciso dizer pros boy: sua mina ouve meu rap e você também que eu tô ligada ! [risos] Brincadeiras à parte, tenho participação quase que igualitária nas redes sociais. Oscila, mas mantém uma parcial de 51% mulheres, 49 % homens. Aceita o som. É rap também!
 
Foto: Bernardoguerreiro
MBP - Quem são as mulheres que você admira? Na música, na arte, na dança...
TR - A falta de referência nas mídias brasileiras nos fez prestar a atenção nas irmãs negras que estão a nossa volta, o que me foi e tem sido muito valioso porque tenho valorizado a cada dia mais minhas amigas que são excepcionais, não somente por serem belas, mas por serem MARAVILHOSAS. Vou citar algumas delas: Isis Carolina Vergílio (bailarina, performer e produtora), Lívia Mafrika (universitária, dançarina e cantora), Juliana de Jesus (produtora executiva), Xênia França (cantora e compositora, vocalista da Aláfia), Natasha Vergílio (bailarina, performer e produtora), Samira Carvalho (modelo, artesã e estilista), Daniela Rodrigues (empresária e produtora), Daniele Da Mata (empresária, maquiadora na Escola de Automaquiagem para pele Negra "Da Mata Makeup " ), Loo Nascimento (estilista, stylist, cool hunter, empresária e mais uma penca de coisa) Camila Alvarenga (universitária e empresária), Amanda Coelho (empresária e hair stylist), Welida Souza (hair stylist e dançarina), Janine Mathias (cantora e compositora ) e por aí vai, seguindo a lista do bonde que só cresce. Contando inclusive com vocês, Meninas Black Power, que chegaram na minha vida agora e eu já admiro, viu?!

MBP - O que o Atravessamento pra você? Qual foi o processo de construção?
TR - Pra mim, é um sentimento de invasão, que pode ser tanto bom quanto ruim. Me sinto atravessada quando ando na rua e os olhares me condenam ou subjugam simplesmente pelo fato de ser negra; me sinto atravessada quando vou há alguma festa e algum cara acha que pode me tocar ou me ofender com palavras vulgares sem ao menos me conhecer, achando que sou um objeto qualquer e disponível. Porém me sinto atravessada de uma maneira positiva também. Quando me reconhecem na rua e me lançam palavras de carinho e estímulo, mesmo nunca tendo me visto na vida. Me sinto fortemente atravessada quando as pessoas vão ao meu show e eu vejo no brilho do olhar de cada uma que me permite, a felicidade por estar ali, e a satisfação dessas pessoas ao se sentirem representadas. Me sinto atravessada agora escrevendo pra vocês, porque falar de mim sempre foi difícil. Eu sou muito reservada e revelar com riqueza de detalhes algumas coisas, me atravessa muito. Acho que a vida é feita de atravessamentos sim, e o que nos determina é o que fazemos para lidar com tudo isso.
Um bonde forte no Pré-ELLA.
    É essa diva que anda por aí revolucionando os sons e o mundo que apresentamos orgulhosamente hoje. Temos a honra de ter Tássia entre as nossas. Foi impactante conhecê-la e recomendo para todo mundo. Vocês podem ouvir todas as faixas do EP abaixo, aliás. Aproveitem!

MBP TESTOU - LINHA NUTRAHAIR CACHOS

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza



     As integrantes do Coletivo Meninas Black Power receberam em primeiríssima mão os produtos da nova linha da Nutrahair para cabelos crespos e cacheados. A marca concordou com a gente: crespo é lindo! Por mais fechados que sejam seus cachinhos, eles merecem cuidados especiais e produtos que atendam suas necessidades. Usamos os produtos por pouco mais de um mês. Adoramos o convite e vamos compartilhar aqui o que cada uma achou dos resultados em sua textura, forma como usamos, possibilidades e etc. Aproveitem! A Nutrahair trabalha com produtos profissionais, mais utilizados em salões. Com essa linha não é diferente. Lemos na embalagem que os quatro produtos possuem "liberação gradativa e tratamento prolongado" e contam com um complexo vegetal (Colágeno Fitomarino e Extrato de Nori) na composição. Todos contém 500 ml e o kit é composto por:
- Shampoo: Promete limpeza suave através de agentes condicionantes que executam a limpeza sem tornar os fios ásperos. Não conta com cloreto de sódio na composição, mas contém sulfato.
- Máscara Condicionante: Promete reposição lipídica e nutrição profunda. Contém Ômega 3/6. Liberada para no e low poo.
- Gloss Modelador: Seria o componente semelhante ao leave in. Promete redução de volume, efeito natural e maior definição nas ondas já existentes.
- Fluido Fixador: Muito parecido com um gel, sendo um pouco mais líquido. A embalagem diz que ele define e realça as ondas dos cabelos sem pesar. Pode ser usado separadamente ou em conjunto com o gloss.


"Lavei e texturizei com os produtos da linha. Após a lavagem com o shampoo, já notei uma maciez que não vejo em outros produtos que uso! A máscara condicionante conferiu muito brilho e texturizou bem os fios após a lavagem. Percebi uma maciez muito grande, mesmo sem qualquer leave in. Já o Gloss Modelador não me agradou muito. Creio que sua composição não possui óleo suficiente que meu crespo precisa, pois após o uso meu cabelo ficou um pouco ressecado e pesado demais."



"Identifico minha textura como 3C/4A. Senti que o shampoo hidratou além de limpar o couro, não deixando-o com aspecto áspero. A máscara condicionante possui ótima consistência. Além de prática, por ser um produto 2 em 1, ela me proporcionou hidratação profunda em poucos minutos, dando brilho e maciez aos fios. O Gloss Modelador pesou o cabelo. O Fluido Fixador me lembra um pouco o G Gelatina pela consistência mais liquida. Meu cabelo simplesmente amou. Ganhou um brilho incrível e ótimos day afters. Testei o Gloss Modelador com o Fluído Fixador e deu super certo. Não passei muito produto no cabelo, mas ficou lindo."



"Não costumo usar condicionador depois do shampoo e com os produtos da linha não foi diferente. Na primeira lavei com shampoo duas vezes e depois usei o Gloss Modelador. O shampoo é muito cheiroso, com fragrância bem levinha, deixou os meus cabelos limpos e pensei em não passar a segunda vez como faço. O Gloss Modelador tem consistência bacana, fluida, e com pouca quantidade deu pra desembaraçar e finalizar os cabelos e finalizar. Aí foi só aguardar a secagem e eles ficaram super macios e com um brilho ótimo. Na segunda semana, usei a linha toda, lavei com shampoo somente uma vez, selei com um pouquinho de condicionador, passei o Gloss Modelador, deixei secar sem mexer. Eles ficaram com aquele aspecto de molhado e bem firmes. Pra pegar aquele volume "bafo", passei o fluido fixador e amassei bastante com as mãos. Voilà! Cabelos cheirosos, macios, com uma textura ótima e volume que eu adoro. Super recomendo. Testem as combinações dos produtos até conseguirem o resultado que 
mais gostam."

"Acho minha textura 4A/4B e sem dúvida esta é uma das linhas que meu cabelo mais amou. O shampoo é incrível! Testei fazendo umectação antes da lavagem, mas ele não deixa os fios ásperos, então umectar antes só turbinou o efeito de maciez dos fios antes do tratamento. Uso a Máscara Condicionante depois de lavar e deixo por cerca de 20 minutos. A consistência é ótima e o efeito é de hidratação profunda. Não misturei óleos como faço com outras máscaras e ainda assim o cabelo sentiu bem a ação dos componentes. Finalizar com os produtos é bem divertido e sempre testo um novo jeito. Já fiz só som o Gloss Modelador, só o Fluido Fixador, método OG (óleo vegetal + Fluido Fixador) e uma variação de LOC (Gloss Modelador + óleo vegetal + Fluido Fixador). A última foi a que deu mais certo. Separo e aplico os produtos como na fitagem (isso garante que todo o cabelo vai receber o mesmo tratamento e eu sei que todas as partes vão ficar parecidas). Só tenho usado os dedos pra desembaraçar e os produtos não brigaram com esse novo hábito. Sinto muito brilho (mas lembrem-se de que eu costumo usar óleo junto e isso dá um up), maciez prolongada, a definição dura bastante e nada interferiu no volume. Indico pra todo mundo.”

      É isso, Meninas! Adoramos a experiência e vamos continuar comentando sobre os produtos. Fiquem ligadas. Beijos!

Saibam mais sobre a marca: 
www.facebook.com/NutraHairOficial  
www.nutrahaircosmeticos.com.br

O ANO PASSOU, A DOR PERMANECEU, MAS A LUTA CONTINUA

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por Arielly Santos

Fonte: Google
     Desde que assumi a minha identidade, comecei a ver as coisas ao meu redor de outra forma, tendo sempre em mente que sou uma eterna aprendiz. Sempre estudei em escola pública e há dois anos atrás passei para o Ensino Médio (um dos períodos que parece ser mais difícil na vida das jovens negras). Naquele ano, não tive tantos problemas em relação às minhas posições, afinal estava passando pela fase de descobertas como menina negra, percebendo qual era e é o meu lugar dentro da sociedade e tendo um outro olhar. 
      O ano passou, minhas ideias começam a amadurecer e as coisas mudaram, inclusive o turno em que estudava. Passei para o matutino, o turno mais elogiado da escola. Lembro-me dos primeiros meses, numa aula de Língua Portuguesa enquanto corrigíamos alguns exercícios, onde um destes abordava o negro no Brasil há mais de 80 anos atrás. Foi quando iniciou-se um longo debate sobre a questão do sistema de cotas raciais nas universidades brasileiras. Olhei ao meu redor e a maioria dos alunos não eram favoráveis, a minoria que talvez fosse, não se pronunciava, talvez por medo de ser contrariada. Foi ali que levantei a voz dizendo que eu era a favor. De repente o silencio tomou conta de todos e me olharam como se eu fosse um ser de outro planeta. Aquela foi a primeira vez que me posicionei e defendi aquilo que eu pensava, mal sabia que a partir disso eu precisaria ser mais forte, pois a luta só estava começando.
     Após alguns meses, uma rádio bem conhecida em minha cidade estava fazendo aniversário, como forma de comemoração foram organizados vários shows de artistas nacionais na orla da praia, aberto à população. No grupo virtual da turma, na tentativa de intimidar-me, um de meus colegas comentou que "só daria NEGRO roubando naquele evento", minha resposta àquele comentário inútil foi o silêncio e por isso resolvi sair dali, passando a ser tachada como "politicamente correta" pela maioria. Foi assim que se iniciaram as chacotas em cima do que eu defendia, cheguei a pensar que podia estar sendo radical. 
       Os meses se passaram e Agosto estava ali batendo na porta, era o mês em que ocorreria um desfile na escola e cada turma teria seus representantes. Nunca fui fã de desfiles (já que sempre o relacionam a concurso de beleza). No início me animei a participar, pois via aquilo como uma forma de representar as jovens negras que muitas vezes se retraem por culpa de um padrão de beleza que não as enquadra. Porém, logo desanimei. Ao olhar à minha volta e ser apoiada por alguns, resolvi me inscrever para o tal desfile. 
      O dia chegou e por onde andava via maquiagens, ansiedade, tensão e eu estava ali, calma e com um pouco de receio do que poderia vir, mas segui em frente. O resultado foi inesperado para muitos, mas ali estava eu, a segunda menina negra daquela escola a alcançar um dos lugares que os padrões de beleza e a baixa autoestima não permitem que muitas de nós sigamos em frente. Não podia acreditar e talvez já estivesse prevendo o que estava por vir. Fui alvo de piadas, racismo e preconceitos em forma de "opinião". Naqueles momentos me via como Nayara Justino, Lupita Nyong’o e muitas mulheres pretas que passaram por essas e outras situações.
      Lembrava-me que desde criança nunca me vi na televisão de forma que pudesse ter orgulho daquilo que eu realmente sou, mas hoje tenho grandes exemplos de mulheres negras que me orgulham e são verdadeiros espelhos. Ao pensar nelas, minhas forças se renovavam para seguir em frente. A luta pela desconstrução do racismo dentro do ambiente escolar não é fácil, e muitas vezes acaba sendo árdua, nos fazendo pensar em desistir, mas quando lembramos que no passado muitos negros e negras lutaram e não cessaram, temos mais um motivo para não desistir. O ano passou, a dor permaneceu e está cicatrizando, mas e a luta? Esta deve continuar.

KIT MBP - KARINA VIEIRA

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

      Estavam com saudade do #kitmbp, né? Voltamos! A integrante de hoje é ninguém além da livreira mais espetacular que vocês já puderam conhecer. Karina Vieira é daquelas que já encontrou os produtos que produzem exatamente os efeitos que ela curte e mantém eles bem pertinho.  Você também é assim? Então vem ver o que a Ka não deixa de usar:


1 - Bandana
2 - Grampos 
3 - Pomada para o cabelo, O Alquimista de Chad 
4 - Grampinho com coração

DICA DE LEITURA MBP: UMA PRINCESA NADA BOBA

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por Élida Aquino
Rainha Nzinga | Ilustração: Biel Carpenter
      Como integrante do Coletivo Meninas Black Power posso afirmar que uma das nossas maiores crenças é no empoderamento, no potencial do compartilhamento. Ideias como as nossas, projetos que se levantam e colocam crianças pretas como alvo principal ou livros que fazem com que elas se observem de pertinho, por exemplo, são imprescindíveis para a construção de um novo tempo na vida da população negra no Brasil e é por isso que temos investido tempo e energia. Formar crianças e jovens que valorizem sua comunidade e herança é precioso. Nós por nós é a tática. Se não nos incluem e insistem em nos quebrar diariamente, vamos lutar por nossos direitos e também vamos falar para os nossos sobre nós, o que somos e o que queremos.
      Volta e meia o Coletivo dialoga com mães, pais e profissionais da educação que buscam colocar este empoderamento na rotina das crianças e temos total interesse em fazer das mídias Meninas Black Power fonte de inspiração. Hoje é dia de inspirar com dica preciosíssima pra quem quer empoderar! Recebemos "Uma princesa nada boba" do próprio Luiz Antonio, autor do livro. Ele leu "Para princesas visíveis", um dos posts mais recentes por aqui, e entendeu que falamos da mesma coisa. Foi uma honra poder receber o carinho das mensagens, perceber como ele compreendeu a ideia. Aliás, o post em questão mostrou o óbvio: mulheres de hoje não esquecem o quanto o sistema lhes privou da possibilidade de se sentirem lindas e meninas de hoje passam pelas mesmas privações. Felizmente continuamos insistindo, apoiando, empoderando, quebrando o sistema, reposicionando a visão.

Dedicatória fofa que está no livro que recebemos!
       Como se não bastasse todo o amor de nos presentear, a obra é emocionante. Minha sensação de reencontro foi impagável. Luiz conseguiu ser objetivo e ao mesmo tempo profundo. Quem conta a história é Stephanie, personagem principal, e a fala dela me cativou, gerou instantaneamente identificação.  "Por que eu não podia ser igual a uma princesa?", questionamento que muitas já fizeram (mesmo que com outras palavras), é o que inicia todo o processo de aceitação, contato com o que ela realmente era e com o que lhe fazia ser como era. Toda a descoberta se dá em seu período de férias na casa da avó, uma mais velha muito sábia. 
       Uma das coisas que mais prendeu minha atenção foi a forma como a família da menina se insere no contexto e o quanto o texto revela o que muitas vezes acontece na realidade. Os pais de Stephanie sempre lhe diziam o quanto ela era linda, mas não olhavam diretamente pra o que lhe fazia sentir indesejável e excluída. Me lembra que é preciso conversar diretamente com as crianças, ainda que de forma lúdica, sobre os efeitos do racismo em nós e em nossos corpos e ao mesmo tempo oferecer subsídios para que a autoimagem se fortaleça. Stephanie se enxergou ao enxergar sua ancestralidade num encontro planejado pela avó. Quando encontra a figura sagrada de Oxum, de mulheres ancestrais, da sua própria avó e outras mulheres reais. Princesas, rainhas, importantes. É o que somos.
Ilustração: Biel Carpenter
       Eu adoraria ter lido na minha fase escolar, então imagino que meninas e meninos que entre os 9 e 14 anos, mais ou menos, vão gostar. As ilustrações lindas são assinadas por Biel Carpenter. Mais informações sobre o livro aqui e aproveitem pra conhecer o outro livro do Luiz, "Minhas contas", que fala sobre amizade, religiosidade e os valores de respeito. Mais uma vez agradeço o carinho. É o tipo de leitura que me faz querer voltar mil vezes e absorver um pouquinho mais de beleza. 
Inspirem-se, Meninas!

REPRESENTATIVIDADE: BRINQUEDO AFIRMATIVO E IDENTIDADE

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por Jaciana Melquiades
Venho buscando muitas referências sobre brinquedos afirmativos. Leituras, referências na internet, páginas no Facebook e tudo que seja enriquecedor. O interesse é pessoal (tenho um filho de 3 anos em fase escolar e que precisa conhecer um mundo inteiro), e profissional (eu mesma tenho um empreendimento familiar bem jovem que se aventura na produção de brinquedos afirmativos). Não seria novidade aqui se eu dissesse que em uma vasculhada rápida em sites de busca, com as palavras "brinquedo" ou "brincadeira", é possível encontrar uma infinidade de material, e em pouquíssimas (ou nenhuma) teremos representadas nossas crianças negras.
O brinquedo tem função fundamental na formação do indivíduo e de sua identidade. A identificação positiva permite a construção da autoestima na criança e um bom relacionamento com sua autoimagem. Através da brincadeira é possível que ampliemos a percepção do mundo em que vivemos, é possível que aprendamos sobre o funcionamento da vida cotidiana e que construamos uma série de "verdades" que nos acompanharão pelo resto da vida. Nesse sentido, a representatividade que pode vir agregada ao brinquedo pode ser decisiva na construção de uma autoimagem positiva.
Como mãe, o desafio é ampliar as possibilidades de reconhecimento de meu filho. Obviamente que, mesmo tão pequenos - acho que justamente por isso - ele busca correlação de sua imagem com elementos não negros também, e tendo em vista o que o mercado nos oferece, os elementos não-negros são sempre maioria e estão ao alcance fácil dos olhos. Desenhos animados, super-heróis, livros infantis: todos esses elementos são apresentados a ele e exercem funções didáticas o tempo todo. Somos, como pais, educadores cotidianos, e a cada referência que damos (ou permitimos que tenham) precisamos pensar na forma como tal elemento será assimilado e absorvido pelos nossos pequenos. É bacana que nossos crespinhos e crespinhas curtam o Batman ou a Rapunzel, por exemplo, mas onde estão personagens nos quais elas e eles se enxergam? Quando olham no espelho, com quem se parecem??? Como empreendedora, o desafio é entender este grande buraco que existe no mercado e não me perder nos objetivos da empresa: é muita demanda!

Capa Super Black Power da Era Uma Vez o Mundo. Foto: Jaciana Melquiades
Fui conversar com Lúcia Makena, uma grande referência que tenho na construção de brinquedos afirmativos. Não só por conta da criatividade na hora de criar suas bonecas, mas por conta do engajamento que ela tem na aplicação da Lei 10639 de ensino de História da África  e Afro-brasileira, da sua trajetória como educadora e disseminadora do uso da boneca preta como elemento educativo (e representativo) para nossas crianças. Para saber um pouco mais sobre seu trabalho, clique aqui

Em uma breve entrevista ela me contou um pouco sobre sua trajetória educativa com brinquedos afirmativos, sobre como eles entraram em sua vida profissional. Ela diz que as bonecas entraram em sua vida através de uma revista de artesanato que viu numa banca de jornal. Ela ficou encantada ao ver uma boneca negra de pano na capa de uma revista. Ela acredita que foi um empurrãozinho dos nossos ancestrais para que se inspirasse e a partir dai cumprisse com sua missão na luta contra o RACISMO. Ela me falou também sobre a importância da boneca negra na infância de uma criança negra, em especial para a menina negra:

Lúcia Makena: Contação de histórias
"As bonecas em geral ajudam no processo de formação de identidade das crianças no caso das 'meninas', e para as meninas negras essa possibilidade foi durante décadas ignorada como se todas as meninas fossem iguais ou bem parecidas [...] As bonecas negras para as meninas negras são um direito que as bonequeiras* negras estão devolvendo a elas e assim contribuindo na sua formação e com sua autoestima."
 Perguntei a ela se boneca era "coisa de menina", e como ela acha ser possível romper essas barreiras entre "brinquedo de menino" e "brinquedo de Menina". Ela me disse que aos poucos, convivendo com diversos tipos de pessoas, participando de muitos eventos, conseguiu entender que as bonecas vão além de ensinar as meninas a ninarem seus futuros filhos e sim que a boneca tem que conviver com o grupo de meninas e meninos. Segundo ela, inserir a boneca no cotidianos também dos meninos não tem sido uma tarefa fácil. A barreira social é grande, mas Lúcia Makena continua dialogando com as mães, buscando a desconstrução de pensamentos machistas. Assistam aqui e aqui a participação dela no programa Pé na África falando sobre a importância das bonecas negras na educação e a representatividade de nossas crianças nos brinquedos afirmativos. Vale a pena conferir esse bate papo!
Boneca Makena. Foto: Lucia Makena.
Pensando somente em brinquedos afirmativos e citando alguns exemplos (usando todos aos quais consegui ter acesso - seja por conhecer pessoalmente, ou por busca no google):
Era uma vez o mundo: Essa é a minha xodó. Para saber mais, clique aqui e aqui. Existimos desde 2008 e tentamos criar brinquedos que sejam referências tanto para meninos quanto para Meninas. Temos livros de pano, bonecas, capa de super-herói ou heroína! Temos oficinas para alunos ou professores e apresentamos nossos brinquedos afirmativos e educativos como ferramentas na construção da autoestima, representatividade, além de servirem como material didático às instituições de ensino.
Um dos livros de pano da Era uma vez o Mundo. Foto reprodução do site.


Preta Pretinha Bonecas: Uma loja de muito sucesso, conhecida e existente em muitos estados brasileiros e até fora do país, que nasceu da vontade de três irmãs de se verem representadas em seus brinquedos, mais especificamente as bonecas que ganhavam. Você pode saber mais sobre a loja aqui. Hoje as irmãs são especializadas em brinquedos inclusivos.
Bonecas inclusivas da Preta Pretinha. Foto reprodução do site.


Negafulô & Cia: Tem um ateliê lindinho em São Paulo e produz bonecas negras maravillhosas, brinquedos e acessórios desde 1998. Você pode conhecer melhor aqui. Esta empresa apresenta também palestras a educadores inserindo suas bonecas na Lei 10.639 de ensino de História da Africa e Afro-brasileira.
Bonecos e bonecas Negafulô. foto reprodução da Fan page.
Temos uma caminhada muito grande pela frente no que diz respeito à construção de representatividade aos nossos pequenos, mas seguimos tentando e cada vez mais em maior número. Sempre é bom lembrar: juntos somos mais fortes, e só é possível a criação de espelhos positivos, se nos virmos desde cedo nos símbolos que nos cercam.

*Bonequeira: Mulher que confecciona bonecas e bonecos de pano.