NÃO ESTAMOS AFIM

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por Renata Morais

Foto: Renata Morais
      Oi. Hoje não quero passar nada no meu cabelo. Ontem também não quis e talvez não queira por um bom tempo. Não tenho vergonha de dizer que só estou lavando. Só mesmo. Uso shampoo e condicionador. Apenas. 
      Nós dois tivemos uma conversa e resolvemos que ele teria o tempo dele também. Sabemos (eu e ele) que cronograma, óleos e receitinhas são importantes, mas decidimos que isso não ia afetar nossa relação. Ele (o cabelo) está mudando rápido, ficando maduro. Fios brancos estão aparecendo, mas como estamos em uma relação aberta, tingir não é uma escolha só minha. É dele também. Tive que ter essa abertura com ele, porque eu estava sofrendo. Minha vida mudou muito de uns meses para cá e o tempo ficou curto. Ficava triste e com um sentimento de culpa quando não conseguia hidratá-lo. Por isso fui até o espelho e o toquei, abri suas mechas crespas e conversamos. Decidimos que o que é bom pra mim, seria bom pra ele e vice-versa. 
        Há exatamente um mês que não hidrato. Hoje ele está lindo. Vou hidratar? Sim, mas não hoje. Ele precisa de cuidados? Muitos, mas também queremos ser livres. Ele está crescendo? Muito! Nunca cresceu tão rápido. Ainda amamos óleos, babosa e receitinhas caseiras? Sim, mas só usamos quando estamos afim. Minha dica: toque seu cabelo, converse com ele, ame-o. Não simplesmente por vaidade, mas sim por ser corpo, ser parte de você.

KIT MBP - JACIANA MELQUIADES

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

      Chegou mais um #kitmbp, Meninas! Hoje é dia da Jaciana Melquiades. Vejam abaixo a listinha incrível que ela preparou pra compartilhar e aproveitem as dicas! 
1 - Desodorante Rexona Clinical Women, Rexona - R$ 24,90
4 - Pó Solto Translúcido, Mary Kay - R$ 55,00
7 - Creme para mãos Sève Amêndoas, Natura
8 - Esmalte Extra Brilho, Colorama - R$ 2,90
10 - Laço para o cabelo, Lulu e Lili Acessórios

MBP + SALINA, A ÚLTIMA VÉRTEBRA

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por Jessyca Liris e Karina Vieira

Foto: Amok Teatro
      Pertencimento: é a crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos. Os indivíduos pensam em si mesmos como membros de uma coletividade na qual símbolos expressam valores, medos e aspirações. Esse sentimento pode fazer destacar características culturais e raciais. Essa foi a primeira palavra que pensamos, o primeiro sentimento que tivemos após assistir SALINA.
    As narrativas usadas para o espetáculo vão além das narrativas usuais. O canto, a dança, os ritos se fundem para nos presentear com uma experiência única. SALINA conta uma história de ódio e perdão. De uma brava mulher que através dos tempos se refaz, se reinventa para viver e continuar vivendo nos seus. Batalhas sangrentas, guerras que duram anos e uma saga familiar permeiam a narrativa e nos fazem entrar em um outro mundo, um outro tempo, onde a contagem das horas se passa de outra forma. A história te envolve e o tempo ganha outro significado quando você descobre que mais de 3 horas se passaram e você se viu imerso na linda história. 
Foto: Daniel Barbosa
    A peça é composta por 10 atores negros e pelo músico Fábio Simões Soares. Conta com as atuações magistrais de Ariane Hime como Salina, Luciana Lopes como Mama Lita, Sergio Ricardo Loureiro como Sissoko Djimba, Tatiana Tiburcio como Khaya Djimba, André Lemos como Saro e Mumuyé Djimba, Thiago Catarino como Kano Djimba, Graciana Valladares como Sowumba, Reinaldo Junior como Kwane M Krumba e Um Djimba, Sol Miranda como Alika e Uma mulher Djimba e Robson Freire como Oráculo e Um Djimba. Direção, figurino e cenário de Ana Teixeira e Stéphane Brodt. 
Nos esvaziamos de sentidos e nos enchemos de SALINA.

Jess e Ka  aguardando SALINA. Foto: Jessyca Liris
Serviço:
Entrada: R$ 20 (meia entrada por R$ 10), 
Local: Espaço Sesc (Rua Raimundo Correia, 160, Copacabana - Rio de Janeiro - Telefone: (21) 2547-0156)
Exibição: Até 29/03 (Quintas, Sextas e Sábados às 19:30, Domingos às 18:30)

MBP + MULHERANDO NA ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL ADOLPHO BLOCH

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por Jessyca Liris

Larissa, Mariane, Gleice, Ana Paula, Manu, Rachel, Beatriz, Mayara, Jessyca e Renata. Foto: Jessyca Liris.
      O Coletivo Meninas Black Power recebeu o convite para falar no evento Mulherando, da galera do Escola Técnia Estadual Adolpho Bloch. Fomos eu (Jessyca) e Renata. Pensei que seria uma sala de aula com cerca de 20 alunas, mas ao ver aquele auditório lotado, meu primeiro sentimento foi medo e a primeira vontade foi correr, fugir dali. Felizmente não éramos apenas duas ali. Éramos nove... Nove mulheres negras que escolheram lutar e fazer parte do empoderamento de outras mulheres. 
      A mensagem devia ser transmitida. Eu já trêmula antes mesmo de começar e no início ao ler o texto da Élida, tremia ainda mais. Mas passou. Rê foi contando um pouco da sua história, o que a emocionou e também aos que a ouviam, inclusive a mim. Nossa fala, em resumo, foi sobre amor e coletividade, superação e resistência. Precisamos estar juntas pra que a resistência não seja tão pesada e a força feita sobre nós não seja tão massacrante, que é necessário nos unirmos, nos abraçarmos e nos apoiarmos, que já chega de ficar nos dividindo e nos batendo. 


Foto: Jessyca Liris
      Foi empoderador poder falar para jovens, principalmente para jovens negras. Entendemos e compartilhamos da mesma realidade, das nossas vivências serem pautadas nas mesmas opressões. O papo foi reto, direcionado às irmãs. Agradeço à Mayara pelo convite e a todas(os) que nos ouviram naquele auditório. Empoderador. Ubuntu reine sobre nós: "eu sou porque nós somos". 

CABELO CRESPO É O NOME DO NOSSO CABELO

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Por Jaciana Melquiades
Foto: Jaciana Melquiades - Atividade MBP
Existem vários substantivos que podem ser utilizados para caracterizar nossos cabelos e que não apresentam dano à nossa autoestima. "Ruim" não é um deles. É juízo de valor e, neste caso, nunca deveria ser utilizado como adjetivo. Isto posto, vamos falar um pouco sobre representatividade, estética preta e militância.
É evidente e crescente o número de mulheres e homens que estão assumindo a cabeleira black power e colorindo as ruas com cores vibrantes nos cabelos. A aceitação da estética preta parece estar crescendo, mas a cada passo que damos em nosso direito à normalidade de apenas poder ser o que somos, recebemos ataques racistas vindos de comentários naturalizados, que depreciam nossas características. Vídeos e blogs sobre a beleza da mulher, do homem e da criança negra estão aumentando, e são extremamente importantes no que diz respeito à representatividade, mas as mensagens mais compartilhadas nas redes sociais são justamente aquelas que nos tiram do eixo.
A falta de representatividade positiva que a população negra sofre, deixa em nossas crianças uma lacuna identitária que, na maioria das vezes, é preenchida por elementos que não refletem a população negra no geral. Essa lacuna nos persegue por toda a vida e, se não somos cautelosos e atentos, reproduzimos todo autoódio que nos ensinam a sentir de nós mesmos. Nosso cabelo, nosso nariz, nossa cor: tudo acaba virando alvo de reclamações, insatisfações e desejo de afastamento do fenótipo que nos é natural.
Foto: Reprodução internet
A experiência que temos neste coletivo em lidar com o público infantil e jovem que não se vê representado, nos deu a certeza de que é preciso combater o racismo em todas as esferas em que for identificado. Nossas atividades tem como objetivo geral promover a autoestima na juventude negra a partir da reflexão sobre as razões da existência do racismo. Essa reflexão é capaz de promover o autoconhecimento e, consequentemente, a elevação dos valores positivos relativos à negritude. A primeira atividade que desenvolvemos em uma escola nos permitiu reconhecer problemas de autoestima nas crianças. Apesar de elas terem uma percepção cromática da própria pele condizente com as características fenotípicas de cada uma delas, concepções depreciativas dessas características estiveram presentes o tempo todo em seus discursos.
A TV corrobora o que elas aprenderam a pensar sobre si, não com afirmativas, mas com a negação do uso de nossa imagem em suas peças publicitárias: "são feias", "o nariz é largo demais", "o cabelo é ruim". A adaptação aos padrões aparece para nossas crianças e para os nossos jovens como obrigatória, e é sempre dolorosa. A química que modifica nossos cabelos crespos, queima e fere o couro cabeludo, e cada vez que nossos cabelos tornam a crescer, o desespero de esconder nossas raízes toma conta de uma infinidade de mulheres e homens negros. Mas nossas raízes resistem sempre e tornam a nascer.
A sociedade brasileira é dividida em categorias raciais cotidianamente, sem necessariamente ter que haver um manual para que todos saibam a que  categoria pertencem, no entanto, enfrentar a empreitada de combater o racismo e a discriminação de nossas características fenotípicas não poderia acontecer sem o risco dos desentendimentos. Combater é obrigatoriamente sublinhar e tornar visível a discriminação, os termos camuflados sob o véu da "brincadeira" revelar o que por tanto tempo julgou-se não haver. Combater o racismo, é começar de dento de nossa comunidade preta a eliminar os sintomas do racismo que nos adoece: aprender a ver a beleza de nossos cabelos crespos, que são tão diversos; de nossa cor de pele, dos formatos de nossos rostos que são tão expressivos e fortes.
Foto: Jaciana Melquiades - Atividade MBP
Uma nova forma de militância e resistência cresce e se fortalece: Meninas, mulheres e homens pertencentes à comunidade preta estão escrevendo sobre a nossa beleza. Mulheres pretas estão diariamente gravando vídeos que nos ensinam a cuidar de nossos cabelos crespos, maquiagens que nos favorecem, nos ensinam a usar roupas que deixam nossos corpos volumosos à vontade. Aprendemos a usar turbantes e seu significado ancestral. Nossa comunidade cada vez mais se vê bela e se fortalece com esse olhar, cada vez mais nos vemos espelhados e representados positivamente uns nos outros e assim ficamos mais fortes. Que compartilhemos o que nos representa! Comentemos o que nos fortalece. Eliminemos o ranço racista que insiste em nos dividir.

KIT MBP - ÉLIDA AQUINO

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por Grupo de Trabalho Moda e Beleza

      Mais um post da nossa série que revela tudo sobre o que as Meninas do Coletivo carregam por aí. Hoje quem conta o que não falta no kit é a Élida Aquino. Venham com a gente!
1 - Pó compacto cor 06, Vult - R$ 17,05
2 - Base líquida hidratante cor 06, Vult - R$ 17,91
4 - Máscara para cílios Zoom Lash, MAC - R$ 69,00
5 - Batom Líquido Pro Ballet, Dailus - R$ 19,75
6 - Óleo Extraordinário, Elseve - R$ 22,72
7 - Desodorante Roll-on Pearl & Beauty, Nivea - R$ 6,90
8 - Deo Colônia Uma Ovelha Pra Lá de Negra, Quem disse, Berenice? - R$ 79,90
9 - Batom Coral 65, Natura - R$ 17,90
10 - Muitos grampos e elásticos de diferentes tamanhos

MBP + LANÇAMENTO DA MARCHA DAS MULHERES NEGRAS NO RIO

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por Élida Aquino

Foto: Ignez Teixeira
      Na última Sexta-feira o Coletivo Meninas Black Power teve o prazer de participar do lançamento da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver para mulheres da cidade do Rio de Janeiro. Para quem não sabe, a Marcha das Mulheres Negras acontecerá no dia 18 de Novembro deste ano em Brasília. A ideia é reunir "o máximo de organizações de mulheres negras, assim como outras organizações do Movimento Negro, sem dispensar o apoio de organizações de mulheres e de todo tipo de organização que apoiem a equidade sociorracial e de gênero".
      O lançamento no Rio foi uma celebração maravilhosa na Central do Brasil. As mulheres que passaram por lá tiveram a oportunidade de participar de ações educativas em saúde da mulher, assistir apresentações culturais, fazer amarrações de turbante e muito mais. Conversamos com algumas participantes envolvidas no movimento de organização da Marcha sobre a importância do evento para cada uma e também sobre pautas importantes que serão levantadas em nosso ato.
Fotos: Élida Aquino
    Sobre as articulações para a Marcha, Bia Onça contou que estão acontecendo reuniões regulares em diversos locais do Estado e qualquer interessada pode participar. Já que a Marcha é para toda mulher negra, todas devem se envolver. Também destacou a pauta que levaremos para o ato. Visibilidade social da mulher negra, sua valorização no mercado de trabalho e a afirmação dos direitos humanos são alguns exemplos do que será abordado. Lumena Aleluia, psicóloga e estudando Saúde da Mulher na UFRJ, destaca a importância de discutirmos a política de saúde da população negra, em especial a saúde mental. Vania Bretas, representando o comitê impulsor da Marcha em Niterói, ressalta a necessidade de ocupação em espaços acadêmicos, onde mulheres negras ainda são minoria. Ela conta que foi a primeira em sua família a cursar o ensino superior e hoje tem o prazer de ver a filha na universidade através do sistema de cotas.
Foto: Ignez Teixeira

      Nós estamos ligadas em tudo sobre a Marcha e vamos estar em Brasília participando deste momento histórico. Convidamos vocês para estarem lá também, Meninas! Todas as informações e materiais sobre a Marcha estão disponíveis em www.2015marchamulheresnegras.com.br e no email marchanegras2015@gmail.com. A próxima plenária no Rio será no dia 11 de Abril em São João de Meriti e vocês podem buscar informações em marchadasmulheresnegrasrj.2015@gmail.com. Vamos juntas construir uma nova realidade!